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1. Papel do CNJ na elaboração de políticas públicas
O isolamento, baixa credibilidade, a desarticulação e incapacidade de diálogo
foram as marcas históricas que descrevem a crise do sistema de Justiça no Brasil. O
manto da proteção da independência e autonomia distorcia a falta de transparência e
diálogo. O cenário recebe outras luzes e modifica-se a partir da criação do CNJ com
uma leve abertura para o diálogo e o início de ações planejadas, com metas e baseadas
em dados e estatísticas.
O Judiciário atualmente no Brasil alcançou uma centralidade e legitimidade
perceptíveis em diversos aspectos. Seja o surgimento de figuras icônicas da
moralidade e credibilidade, tais como o Juiz Moro e o ex-presidente do STF Joaquim
Barbosa, seja pelo aumento da judicialização ou ainda por uma percepção mais
próxima da população em relação ao Sistema de Justiça. O nível de popularidade
desses agentes do judiciário é percebido até na maior festa popular do país, o carnaval,
onde as máscaras desses personagens são das mais populares. Recente artigo
intitulado “Dos três poderes restou um”1 de conhecido articulista e poeta brasileiro,
Ferreira Gullar, em um dos mais populares periódicos do país (Folha de São Paulo
em 14 de fevereiro de 2016) elogiava o Judiciário e denunciava a crise de legitimidade
dos demais poderes: Executivo e Legislativo. Esse reconhecimento recente do
Judiciário confirma o processo de aproximação da sociedade que a virtualização
proporcionou.
Essa mudança acontece devido a Emenda Constitucional 45/2004 e
consequente criação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão interno ao
Judiciário e com função inicial de controle, no entanto o CNJ ganha contornos de
formulador de políticas públicas para o Judiciário, numa atuação sofisticada e com
resultados.
A presente pesquisa foca na análise do CNJ como formulador de políticas
públicas, na perspectiva da virtualização como principal vetor dessa política. A
virtualização, conceito empregado por Pierre Levy ao abordar o fenômeno do uso das
tecnologias na transformação da relação com espaço e tempo, consiste numa
mudança que representa uma ação de transparência e interação, ações
democratizadoras.
As relações espaço-temporais se modificam rapidamente na atual sociedade do
conhecimento, mediada pelas novas tecnologias, em que o fluxo de informações e
dados são acelerados e imediatos. Segundo Levy e Lemos (2010) o uso do
computador tem o poder de potencializar as informações e espalhar o fenômeno da
virtualização. O virtual não se opõe ao real, mas ao atual. Na obra intitulada O que é
virtual?, Lévy (1996), demonstra que a virtualização se caracteriza pela potência e
utiliza a metáfora da semente como virtualização da árvore e dos fósforos como a
virtualização do fogo. De acordo com o latim medieval, Virtualis significa potência.
Nesse sentido, as novas tecnologias ampliaram como nunca antes na história as
1
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/ferreiragullar/2016/02/1739066-dos-tres-poderes-sobrou-
um.shtml.
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