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segundo é pertinente a constatação da inegável evolução da classe trabalhadora. Se as mudanças na economia capitalista e da situação do mercado influenciam tanto a classe trabalhadora a ponto de pôr em questão a sua própria existência, como entendem Offe e Habermas, certamente aquelas são suficientes para impor um “menos” a esta situação, o qual consubstancia-se não no fim do conceito de classe, mas, sim, na sua evolução. Não me parece correto entender finda a classe trabalhadora ante a mera evolução do mercado. Raciocinar neste sentido leva a ignorar, por exemplo, o uso do trabalho escravo para valorizar o capital, como ocorre ainda hoje em países como o Brasil. Devemos analisar a situação em sentido inverso, no qual o processo de trabalho capitalista se realiza com a produção de mercadorias com mais valor agregado. Assim sendo, mostra-se essencial a incorporação do trabalhador, uma vez que é a sua atividade que valoriza os meios dispostos pelo capitalista no início do processo. A mais-valia decorre do trabalho não pago3. Dessarte, o capital se valoriza ao incorporar trabalho não-pago e, inexistindo igualdade entre o que o trabalhador produz e o que recebe, a lei do valor-trabalho continua atuando. Desta feita, ao terceirizar ou criar as cooperativas de produção, o capitalista externaliza os custos sociais do trabalho que acompanham a produção de mais-valia e internaliza apenas o seu acúmulo (Ferraz, 2009). A existência da classe trabalhadora não está ligada diretamente ao pagamento de salários, ficando isto mais claro quando cotejamos os sistemas capitalista e escravagista. Tanto no labor cooperativado (onde o pagamento de salários é feito de modo indireto) quanto no escravo moderno, o capitalista obtém a força de trabalho do trabalhador com mais-valia, não sendo possível mesmo contemporaneamente afastar a existência da classe trabalhadora. Assim sendo, não há dúvidas quanto a manutenção de uma classe trabalhadora, a qual é influenciada por diversos fatores, tal qual o próprio Weber admitiu posteriormente em seu trabalho. Porém, mesmo tendo em mente o determinismo do mercado de sua teoria clássica, ainda assim teríamos a evolução da Classe Trabalhadora, pois foram justamente as condições específicas dos mercados de “produtos e de trabalho” que fizeram surgir os trabalhadores via internet, provocando a própria evolução da classe trabalhadora. A popularização da rede e de suas vantagens demandaram das empresas mobilidade de estratégia, a qual potencializou o trabalho a distância, tendo-o levado a patamares inéditos na história. Por outro lado, Thompson entendia a classe trabalhadora como resultado de um fenômeno histórico, o qual unifica diversos acontecimentos díspares e aparentemente desconectados, decorrendo, em última análise, das relações humanas. Esta linha de pensamento aparentemente abarca os trabalhadores pela internet, não obstante, Thompson também entendia classe como determinada pelo lugar, estando este 3 “O capital é, portanto, não apenas comando sobre trabalho, como diz A. Smith. Ele é essencialmente comando sobre trabalho não-pago. toda mais-valia, qualquer que seja a forma particular de lucro, renda etc., em que ela mais tarde se cristalize, é segundo sua substancia, materialização de tempo de trabalho não-pago. O segredo da auto-valorização do capital se resolve em sua disposição sobre determinado quantum de trabalho alheio nãopago” (Marx, Karl (1984) O capital. São Paulo: Abril Cultural, 1984. p. 120). 333