Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas Direito e Informação na Sociedade em Rede: atas | Page 312
Embora sejam quase sempre tratadas como processos independentes de
informação organizacional, as duas arenas de uso da informação – criar significado,
construir conhecimento e tomar decisões – são de fato processos interligados, de
modo que, analisando como essas três atividades se alimentam mutuamente, teremos
uma visão holística do uso da informação. Num nível geral, podemos visualizar a
criação de significado, a construção do conhecimento e a tomada de decisões como
três camadas concêntricas, em que cada camada interna produz os fluxos de
in formação para a camada externa adjacente. A informação flui do ambiente exterior
(fora dos círculos) e é progressivamente assimilada para permitir a ação da empresa.
Primeiro, é percebida a informação sobre o ambiente da organização; então, seu
significado é construído socialmente. Isso fornece o contexto para toda a atividade da
empresa e, em particular, orienta os processos de construção do conhecimento. O
conhecimento reside na mente dos indivíduos, e esse conhecimento pessoal precisa
ser convertido em conhecimento que possa ser suficiente, a organização está
preparada para a ação e escolhe seu curso racionalmente, de acordo com seus
objetivos. A ação organizacional muda o ambiente e produz novas correntes de
experiência, às quais a organização terá de se adaptar, gerando assim um novo ciclo
(Choo, 2003, p. 29-30).
Esses três modos de uso da informação: a interpretação, a conversão e o
processamento. São processos sociais dinâmicos, que continuamente constituem e
reconstituem significados, conhecimentos e ações. A organização que for capaz de
integrar eficientemente os processos de criação de significado, construção do
conhecimento e tomada de decisões pode ser considerada uma organização do
conhecimento (Choo, 2003, p. 30).
Para Choo, a criação de significado começa quando ocorre alguma mudança no
ambiente da organização, provocando perturbações ou variações nos fluxos de
experiência e afetando os participantes da instituição. Essas mudanças exigem que os
membros da organização tentem entender essas diferenças e determinar seu
significado. Ao tentar entender o sentido das mudanças, um agente dentro da
organização pode isolar uma parte das mudanças para um exame mais detalhado.
Portanto, os executivos reagem a informações ambíguas no ambiente externo
interpretando o ambiente ao qual irão se adaptar. Ao criar a interpretação do
ambiente, eles concentram sua atenção em certos elementos do ambiente: selecionam
atos e textos, rotulam-nos com nomes e buscam relações. Quando um executivo
interpreta o ambiente, ele constrói, reorganiza, destaca e destrói muitos aspectos
objetivos do ambiente. Essas misturas variáveis inserem vestígios de ordem e
literalmente cria suas próprias limitações. O objetivo dessa interpretação é produzir
dados ambíguos sobre as mudanças ambientais, que em seguida serão transformados
em significado e ação. O processo de interpretação separa ambientes que a
organização poderá esclarecer e considerar seriamente, mas isso só ocorrerá realmente
dependendo do que acontecer no processo de seleção. A seleção envolve a
sobreposição de várias estruturas de relações possíveis sobre os dados brutos
interpretados, numa tentativa de reduzir sua ambigüidade. Essas estruturas, em geral
na forma de mapas causais, são aquelas que se revelaram suscetíveis de explicar
situações anteriores, e que agora são sobrepostas aos dados brutos atuais para que se
possa verificar se são capazes de oferecer uma interpretação razoável do que ocorreu.
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