Desfazer as confusões pd52 | Page 78

Empregos passam pela educação Mozart Neves Ramos J air Bolsonaro, no dia 28 de outubro, foi eleito para gover- nar o Brasil pelos próximos quatro anos. Ele precisará, em primeiro lugar, ter habilidade para unir o país em torno de um mesmo ideal: fortalecer a democracia e as diferentes instân- cias de poder, saber governar com as diferenças e promover o desenvolvimento social e econômico, para que o país possa nova- mente voltar a crescer de forma sustentável. Isso significa redu- zir o hiato que separa o nosso Produto Interno Bruto (PIB) do nosso Índice de Desenvolvimento Humano (lDH). O Brasil tem o nono PIB mundial, com US$ 2,056 trilhões – mas, em 2011, o PIB brasileiro era de US$ 2,616 trilhões. Por seu lado, o país ocupa a 79ª posição no ranking mundial do IDH, que depende fortemente do vetor educação. Entre os 45 países que respondem por 85% do PIB mundial, o Brasil ocupa, em termos de crescimento do PIB, a última posição. Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o cres- cimento de 1%, em 2017, ainda é insuficiente para alterar o quadro econômico instalado após a crise doméstica, vivida entre 2014 e 2016, período em que o Brasil retroagiu, segundo ele, 7,2% em termos acumulados e gerou elevado déficit fiscal (primário e nomi- nal), aumento desenfreado do desemprego, estagnação da renda real, paralisia nos investimentos e perda ainda maior de competi- tividade no setor fabril. Voltar a crescer significa fazer as reformas, retomar a confiança dos investidores e desenvolver uma política consistente de oferta educacional associada ao binômio emprego e renda. Quero aqui me referir especificamente ao último tópico – educação, emprego e renda – e ao enorme desafio que isso representa para o presi- dente eleito Jair Bolsonaro. O país tem 1 milhão de jovens de 15 a 17 anos que deveriam estar na escola, frequentando o ensino médio, que nem estudam nem trabalham – a chamada geração nem-nem. Se ampliarmos a faixa etária para 15 a 29 anos, o número chega aos 11 milhões de jovens nessa condição – o que equivale a três países do tamanho do Uruguai. 76