Empregos passam pela educação
Mozart Neves Ramos
J
air Bolsonaro, no dia 28 de outubro, foi eleito para gover-
nar o Brasil pelos próximos quatro anos. Ele precisará, em
primeiro lugar, ter habilidade para unir o país em torno de
um mesmo ideal: fortalecer a democracia e as diferentes instân-
cias de poder, saber governar com as diferenças e promover o
desenvolvimento social e econômico, para que o país possa nova-
mente voltar a crescer de forma sustentável. Isso significa redu-
zir o hiato que separa o nosso Produto Interno Bruto (PIB) do
nosso Índice de Desenvolvimento Humano (lDH). O Brasil tem o
nono PIB mundial, com US$ 2,056 trilhões – mas, em 2011, o PIB
brasileiro era de US$ 2,616 trilhões. Por seu lado, o país ocupa a
79ª posição no ranking mundial do IDH, que depende fortemente
do vetor educação.
Entre os 45 países que respondem por 85% do PIB mundial, o
Brasil ocupa, em termos de crescimento do PIB, a última posição.
Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, o cres-
cimento de 1%, em 2017, ainda é insuficiente para alterar o quadro
econômico instalado após a crise doméstica, vivida entre 2014 e
2016, período em que o Brasil retroagiu, segundo ele, 7,2% em
termos acumulados e gerou elevado déficit fiscal (primário e nomi-
nal), aumento desenfreado do desemprego, estagnação da renda
real, paralisia nos investimentos e perda ainda maior de competi-
tividade no setor fabril.
Voltar a crescer significa fazer as reformas, retomar a confiança
dos investidores e desenvolver uma política consistente de oferta
educacional associada ao binômio emprego e renda. Quero aqui
me referir especificamente ao último tópico – educação, emprego
e renda – e ao enorme desafio que isso representa para o presi-
dente eleito Jair Bolsonaro. O país tem 1 milhão de jovens de 15 a
17 anos que deveriam estar na escola, frequentando o ensino
médio, que nem estudam nem trabalham – a chamada geração
nem-nem. Se ampliarmos a faixa etária para 15 a 29 anos, o
número chega aos 11 milhões de jovens nessa condição – o que
equivale a três países do tamanho do Uruguai.
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