Poesia brasileira, ontem e hoje
(e sempre)
Marisa Lajolo
A
ntonio Carlos Secchin acaba de lançar, pela Autêntica/
EdUfmg, Percursos da poesia brasileira. Livro originalís-
simo e ótimo. Com lugar garantido na estante de todos que
gostam de poesia. Os que gostam de ler e os que gostam de fazer
poesia. E com lugar também garantido nas estantes daqueles
que, além de gostarem de poemas, espalham este gosto por salas
de aula. Ou seja: livro nota dez!
Percursos da poesia brasileira distribui seu conteúdo – origi-
nalmente ensaios produzidos a propósito de diferentes circuns-
tâncias – na tradicional cronologia dos estudos de Literatura
Brasileira em cursos de letras e assemelhados. Os textos sempre
claros, compreensíveis e com pitadas de um delicioso humor –
levam seu leitor a percorrer a poesia, desde aquela que se fez no
Brasil colônia até a que se faz hoje. Como indica seu subtítulo: Do
século XVIII ao século XXI.
O primeiro grande acerto do livro é que ele não se limita a
elencar o que se chama de "características" dos vários estilos lite-
rários. Cada um destes senhores – que tem geralmente “Ismo” por
sobrenome – merece, depois de considerações introdutórias,
transcrição e análise de um poema.
Lindas análises!
Antes de prosseguir nestes comentários, faço uma confissão:
quando recebi o exemplar do livro, demorei um pouco para ir além
da capa, que já é muito bonita, na sua superposição de azuis. Eu
estava chegando de viagem, o freezer tinha pifado, os congelados
consequentemente tinham descongelado, havia duas malas de
roupas a serem lavadas, e – na portaria – tinha recado da faxi-
neira que a mãe estava doente em Sergipe e ela tinha ido para lá...
Precisa mais?
Daí demorei para mergulhar no livro. Trocado o conversor (?)
do freezer, lavada a roupa e substituída a faxineira, voltei a ser
leitora. E me fui ao livro de capa de lindos azuis... E fui me envol-
vendo na leitura.
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