Desfazer as confusões pd52 | Page 198

Poesia brasileira, ontem e hoje (e sempre) Marisa Lajolo A ntonio Carlos Secchin acaba de lançar, pela Autêntica/ EdUfmg, Percursos da poesia brasileira. Livro originalís- simo e ótimo. Com lugar garantido na estante de todos que gostam de poesia. Os que gostam de ler e os que gostam de fazer poesia. E com lugar também garantido nas estantes daqueles que, além de gostarem de poemas, espalham este gosto por salas de aula. Ou seja: livro nota dez! Percursos da poesia brasileira distribui seu conteúdo – origi- nalmente ensaios produzidos a propósito de diferentes circuns- tâncias – na tradicional cronologia dos estudos de Literatura Brasileira em cursos de letras e assemelhados. Os textos sempre claros, compreensíveis e com pitadas de um delicioso humor – levam seu leitor a percorrer a poesia, desde aquela que se fez no Brasil colônia até a que se faz hoje. Como indica seu subtítulo: Do século XVIII ao século XXI. O primeiro grande acerto do livro é que ele não se limita a elencar o que se chama de "características" dos vários estilos lite- rários. Cada um destes senhores – que tem geralmente “Ismo” por sobrenome – merece, depois de considerações introdutórias, transcrição e análise de um poema. Lindas análises! Antes de prosseguir nestes comentários, faço uma confissão: quando recebi o exemplar do livro, demorei um pouco para ir além da capa, que já é muito bonita, na sua superposição de azuis. Eu estava chegando de viagem, o freezer tinha pifado, os congelados consequentemente tinham descongelado, havia duas malas de roupas a serem lavadas, e – na portaria – tinha recado da faxi- neira que a mãe estava doente em Sergipe e ela tinha ido para lá... Precisa mais? Daí demorei para mergulhar no livro. Trocado o conversor (?) do freezer, lavada a roupa e substituída a faxineira, voltei a ser leitora. E me fui ao livro de capa de lindos azuis... E fui me envol- vendo na leitura. 196