Os poetas transportam-nos a um mundo mais
vasto ou mais belo, mais ardente ou mais doce
que este que nos é dado, por isso mesmo diferente
e praticamente inabitável. Os filósofos, para
poderem estudar a realidade pura, submetemna quase às mesmas transformações a que
o fogo ou o pilão submetem os corpos: coisa
alguma de um ser ou de um facto, tal como nós
o conhecemos, parece subsistir nesses cristais
ou nessas cinzas. Os historiadores apresentamnos, do passado, sistemas excessivamente
completos, séries de causas e efeitos exatos
e claros de mais para terem sido alguma vez
verdadeiros; dispõem de novo esta dócil
matéria morta, e eu sei que Alexandre escapará
sempre mesmo a Plutarco. Os narradores, os
autores de fábulas milésias, não fazem mais,
como os carniceiros, que pendurar no açougue
pequenos bocados H