Constancioneiro Constancioneiro | Page 106

sujeito poético masculino, um trovador apaixonado, presta vassalagem amorosa à mulher como ser superior, fazendo o seu elogio cortês e/ou mostrando o seu sofrimento amoroso. De origem Provençal, estas composições líricas foram traduzidas para Francês. Numa última parte, apresentam-se as composições satíricas, as cantigas de escárnio e de maldizer, em que os trovadores fazem troça de determinada pessoa ou situação, mais ou menos diretamente. Todos os textos produzidos no âmbito deste projeto se encontram reunidos nesta edição, caracterizando-se esta obra pelo seu caráter completo e inclusivo. Com efeito, nenhuma produção foi deixada de fora da coletânea, pretendendo-se deste modo dar voz à multiplicidade de vozes que se apropriaram, cada uma a seu modo, da herança medieval com a qual foram estabelecendo diálogo(s). Fruto de um percurso colaborativo de aprendizagem, o produto final que agora se edita constitui não só uma forma de preservar a memória e de fazer história, mas também, e talvez sobretudo, a forma encontrada para celebrar um trabalho que contribuiu determinantemente para a coesão do grupo de alunos envolvidos e para o desenvolvimento do seu espírito crítico e criativo. Para terminar, dizer também que a publicação da presente obra, ao celebrar a capacidade de união para tornar possível o impossível, para ultrapassar dificuldades e adversidades, para criar soluções, não deixa de ser igualmente um exercício de cidadania. Como escreveu Pablo Neruda, “a poesia é um ato de paz”. Ler e escrever poesia é, ou pode ser, uma oportunidade para a aceitação das diferenças entre os seres humanos e para construir uma sociedade mais pacífica, mais justa e mais tolerante. “A poesia é única na sua habilidade de falar através do tempo, do espaço e da cultura, a fim de 106