sujeito poético masculino, um trovador apaixonado, presta
vassalagem amorosa à mulher como ser superior, fazendo o
seu elogio cortês e/ou mostrando o seu sofrimento amoroso. De
origem Provençal, estas composições líricas foram traduzidas
para Francês. Numa última parte, apresentam-se as
composições satíricas, as cantigas de escárnio e de maldizer,
em que os trovadores fazem troça de determinada pessoa ou
situação, mais ou menos diretamente.
Todos os textos produzidos no âmbito deste projeto se
encontram reunidos nesta edição, caracterizando-se esta obra
pelo seu caráter completo e inclusivo. Com efeito, nenhuma
produção foi deixada de fora da coletânea, pretendendo-se
deste modo dar voz à multiplicidade de vozes que se
apropriaram, cada uma a seu modo, da herança medieval com
a qual foram estabelecendo diálogo(s). Fruto de um percurso
colaborativo de aprendizagem, o produto final que agora se
edita constitui não só uma forma de preservar a memória e de
fazer história, mas também, e talvez sobretudo, a forma
encontrada para celebrar um trabalho que contribuiu
determinantemente para a coesão do grupo de alunos
envolvidos e para o desenvolvimento do seu espírito crítico e
criativo.
Para terminar, dizer também que a publicação da
presente obra, ao celebrar a capacidade de união para tornar
possível o impossível, para ultrapassar dificuldades e
adversidades, para criar soluções, não deixa de ser igualmente
um exercício de cidadania. Como escreveu Pablo Neruda, “a
poesia é um ato de paz”. Ler e escrever poesia é, ou pode ser,
uma oportunidade para a aceitação das diferenças entre os
seres humanos e para construir uma sociedade mais pacífica,
mais justa e mais tolerante. “A poesia é única na sua habilidade
de falar através do tempo, do espaço e da cultura, a fim de
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