serve a diferentes chefes de jagunços (jagunço
é um criminoso contratado como segurança para
uma pessoa poderosa).
O autor tece a estória com base numa linguagem
dura, como a vida pobre das pessoas dessas
paragens, repleta de neologismos, colocando, de
forma primorosa, em texto a linguagem oral.
A dureza da narrativa só perde o poder quando o
narrador vai descrever a natureza, cuja beleza ele
aprendeu a ver através dos olhos de Diadorim,
companheiro de jagunçagem.
É na relação entre os dois companheiros de luta
que gira toda a história do livro. Aqui, grande parte
da narrativa envolvendo essas duas personagens
principais sugere um amor homossexual, caso
raro entre os contemporâneos de Guimarães
Rosa, realidade que desafia a macheza de
Riobaldo de um jeito que não podia acontecer
entre “cabras machos”.
Paralelamente a esse drama pessoal, outra
temática de destaque no livro é a eterna luta
entre Deus e o Diabo.
Esses dois temas principais são envolvidos,
durante toda a narrativa, pelas lutas sangrentas,
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