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perguntas que emergiam do aplicativo e da plateia, fazendo escolhas de for- ma a manter um clima tenso-amigável durante o Café. De forma geral, meu papel de mediador era equalizar a participação da plateia, do aplicativo e dos convidados. Dentro da minha perspectiva, como professor da Instituição, participante do projeto e mediador, reconheço a importância da pesquisa de ensino em ambientes não formais de aprendizagem. Para o caso do café científico, percebi grande contribuição dessa metodologia, pois abandona qualquer vínculo com o modelo escolar. O mapeamento das palavras-chave e questões pelo aplicativo possibilitou identificar uma preferência do público pela abordagem do tema. Por exemplo, no café científico em que foi debati- da a temática do trabalho terceirizado, as perguntas e palavras-chave mos- travam uma tendência para o tratamento interpessoal entre trabalhadores da zeladoria, professores e alunos, evidenciando uma tensão entre os grupos. Porém, essa metodologia tinha algumas limitações, em especial, a partici- pação da plateia não permitia registrar e quantificar esses parâmetros, mas contribuía para nortear a dinâmica do evento. Outro exemplo da eficiência dessa metodologia de aprendizagem não formal, foi o Café cujo tema foi esporte, e tivemos como convidado o ex-jogador Marques do Clube Atlético Mineiro. Nesse evento, as perguntas indicavam uma tendência à importân- cia do esporte como elemento motivador social. No Café sobre conflitos mundiais, tendo como convidados um agente da ONU e um representante da comunidade Islâmica, mostrou-se uma tendência a um não equilíbrio, a uma tensão constante que polarizou o debate de forma a demarcar, cada um, posicionamentos corretos em detrimento a outros pontos. De forma geral, avalio que o café científico é uma alternativa válida para a modalidade de ensino em ambientes não formais de aprendizagem, levando em conta que esse deve ser bem planejado, em especial, em atenção às pos- sibilidades de tensões que podem emergir dos grupos participantes. Sidney Araújo Maia (Sidão) Professor/Coordenador da Área de Ciências CEFET-MG Ciência, café e cultura / Mediador 88