Ciência, café e cultura - Miolo Ciência, café e cultura - miolo | Page 84
Eu caí no Ciência, café e cultura sem paraquedas. Por indicação do Prof. Dr.
Nilton da Silva Maia (Coordenador CIT CEFET-MG ), a Cláudia (minha profes-
sora de artes e amiga) chega a minha sala e me convida para desenvolver um
dispositivo de auxílio à mediação. Nunca fui de recusar propostas, quanto
mais as mais interessantes: prontamente aceitei, mas confesso que não ti-
nha ideia que usaríamos uma primeira versão em algumas semanas depois.
Loucura! Assim posso definir a minha experiência. Em um centro secular
de grande renome nacional e reconhecido pela qualidade nas engenharias,
um grupo de malucos tenta tirar os pesquisadores da zona de conforto e
trazê-los para próximo de seu principal cliente no sentido de uso e patro-
cínio. Mas não seria tão fácil. Este cliente, há tanto tempo afastado do seu
produto, não estava também preparado para a discussão. Daí entra, talvez,
o mais quadrado dos membros – o cara do computador – com o objetivo de
aproximar o espaço público do debate dos pequenos grupos que discutem,
ou até mesmo de um monólogo interior, reprimido pela falta de motivação e
da centralização do conhecimento em engenheiros que “engenharam” para a
engenharia, e não para o povo que mais necessita das suas engenhocas. Daí
surge a nuvem de palavras: um campo semântico criado para cada debate
com termos relacionados ao assunto a ser discutido,misturado com palavras
do senso comum. Motivamos os participantes a selecionarem duas palavras
aleatórias e a formularem uma pergunta ou comentário, relacionando-as.
Tudo isso utilizando de elementos gráficos modernos, assim como o uso de
tabletes (tecnologia recente para a realidade brasileira). As ligações eram
projetadas em uma circunferência semântica e o público tinha o resultado
da própria criação do debate, ao vivo. Como professor, acredito que o nos-
so maior papel atualmente não é fornecer informação. Ela está disponível,
ubíqua e tangível aos alunos, à sociedade. Temos que romper barreiras e eu,
sinceramente, acredito que rompemos várias. Sinto muito feliz por ter vivido
tudo isso.
Rodrigo Augusto da Silva Alves
Professor do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas CEFET-MG
Ciência, café e cultura / Desenvolvedor de Tecnologia
84