recursos do planeta. Mas, este autor assinala adiante:“ Atualmente, a cada ano, 4 bilhões de dólares são gastos em tratamentos contraceptivos no mundo desenvolvido. O UNFPA e o Guttmacher estimam que aproximadamente o dobro desse valor, ou 8, 1 bilhões de dólares por ano, poderia atender inteiramente às necessidades de contracepção moderna do mundo em desenvolvimento. Entre 2001 e 2011, os EUA frequentemente gastavam mais que isso por mês, no Iraque e no Afeganistão”. 13
Como se vê, o poder do complexo industrial-militar norte-americano é mais poderoso e engole verbas que poderiam ser aplicadas para fins de controle populacional. Mas, mesmo que isto não acontecesse, seria necessário saber se as populações dos países em desenvolvimento, onde muitas vezes os filhos são indispensáveis para completar o orçamento familiar ou para garantir o mínimo na velhice dos pais, estariam de acordo com este tipo de restrição da natalidade. Neste ponto, cumpre colocar a pergunta de como estes fatos se refletiam na reprodução da população mundial.
De imediato, eles levam a uma contradição: se ao capital interessa o aumento da população, pois numa ponta teria à sua disposição mais braços e mentes para explorar e na outra mais consumidores, como e por que acontece, nos quadros do capitalismo, a desaceleração do crescimento populacional, apontada primeiro nos países desenvolvidos e, a partir da década de 1970, em todo o mundo?
13 WeismAn, A. Contagem regressiva. São Paulo: Texto, p. 421.
40 Capitalismo e população mundial