Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 536

Página | 536 Resumo Individual da Mesa-Redonda #1 COMUNIDADE DO CAJUEIRO: UMA LUTA PELA VIDA EM BUSCA DE DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS Alexandre Moura lima Neto 102 alexandrenetoadv@hotmail.com Orientadora: Profa. Dra. Conceição de Maria Belfort Carvalho 103 cbelfort@globo.com UFMA-Mestrado em Cultura e Sociedade RESUMO: Com o advento da Constituição Federal de 1988, as comunidades tradicionais passaram a ocupar lugar de destaque quanto às discussões sobre memória e espaço. Sua importância decorre do fato de que o patrimônio cultural serve de nexo com a história e com a memória coletiva dos povos, concorrendo para que estes mantenham sua identidade, seus valores, sua cultura, pois, entende-se que patrimônio cultural é um bem jurídico que comporta grande relevância para a sociedade. Ademais, direitos e garantias fundamentais adquiriram supremacia hierárquica em relação às demais normas constitucionais, eis que são direitos garantidos, hoje, a todos os seres humanos, enquanto indivíduos. Nesse ínterim, percebeu-se que a cidade de São Luís tem sido marcada historicamente por uma desigual distribuição de renda, exclusão social, tensões e disputas por territórios, o que gera consequentemente, uma exclusão social. Os efeitos sociais e ambientais já se verificam na região do Itaqui Bacanga, em especial na Comunidade do Cajueiro, também conhecida como Vila Cajueiro ou Sítio Bom Jesus do Cajual, que se constitui de cinco pequenos núcleos assim denominados: Parnauaçu, Andirobal, Guarimanduba, Morro do Egito e Cajueiro, que estão situadas na Zona Rural II do município de São Luís/MA e vem, desde os idos de 2014, sofrendo ameaças de deslocamento compulsório e ameaças ao seu potencial paisagístico e cultural, com a implementação do Porto São Luís naquela comunidade. Dada a relevância do cenário sócio político da Comunidade do Cajueiro, recorreu-se a meios lúdicos como forma de conscientizar a população diretamente atingida, sobretudo crianças, despertando-os para a reflexão sobre os impactos da implementação do terminal portuário versus inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, conforme disposto na Constituição. Para tanto, utilizou- se do espaço físico da Escola Municipal Manuel Varela com o objetivo de contribuir no processo de reflexão acerca da temática proposta e sensibilizar para a noção de cidadania, garantias e direitos fundamentais. A pesquisa foi realizada com os alunos do quinto ano daquela escola, por meio da exposição do filme “OS SEM FLORESTAS”, reproduzindo uma sala de cinema, com pipocas, sucos e refrigerantes. Buscou-se incentivar os alunos a relatarem suas próprias vivências ligadas ao racismo, desigualdades sociais, violências e inobservância da lei, a partir do filme. Estimulou-se, ainda, círculos de diálogos para promoção de ações anti- racismo, desigualdades sociais e violência, bem como, a elaboração pelos alunos, de uma carta pública de reinvindicação, expondo os seus anseios e preocupações, como forma de assegurar cumprimento de direitos e garantias fundamentais àquela comunidade tradicional. Palavras-chave: Cajueiro; Direitos; Identidade Mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade – PGCult – UFMA; Professora Doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP). É professora do Departamento de Turismo e Hotelaria da UFMA e professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (PGCULT/UFMA), na Linha de Pesquisa Cultura, Educação e Tecnologia. 102 103