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O RECONHECIMENTO POSITIVO DA EXPERIÊNCIA NEGRA NO ROMANCE
“BARÁ NA TRILHA DO VENTO” DE MIRIAM ALVES E NO FILME “ESTRELAS
ALÉM DO TEMPO”
Scheila Cristina Alves Costa Leite
E-mail: surykatu@gmail.com
Profa. Dra. Joelina Maria da Silva Santos
E-mail: joelina.santos@ifma.edu.br
Instituto Federal do Maranhão
RESUMO: Este trabalho visa o estudo da representação positiva da mulher negra na literatura
e no cinema, através das personagens negras do romance “Bará na trilha do vento” de Miriam
Alves e da cinebiografia norte-americana “Estrelas além do tempo”, a fim de explorar um novo
posicionamento das artes em relação ao estigma dos textos literários e dos filmes que
caracterizam o negro com o estereótipo desgastado do racismo e do preconceito. O objetivo
principal desta pesquisa é expor a ressignificação da mulher negra na literatura brasileira e no
cinema norte-americano e também compreender a nova forma como está sendo abordado o
racismo e o preconceito nessas artes, mostrando os desafios enfrentados por essas personagens
para alcançar sua ascensão social dando voz a mulher resolvida e determinada. Para (RIBEIRO,
1998, p.12), “a existência de preconceitos não é natural. O homem não nasce com preconceitos,
ele os aprende socialmente”. A mídia e os textos literários exercem grande influência na
sociedade, podendo, mesmo que lentamente, modificar a forma com que o negro é visto. De
acordo com Stuart Hall, as diferenças se formam pela exclusão, isto é, uma identidade se faz
por aquilo que a outra não é. A literatura e o cinema utilizam a diferença para exaltar ou diminuir
algumas identidades. “Bará na trilha do vento” é um romance que trata da saga de uma família
negra onde a protagonista Bárbara, conhecida como Bará, ultrapassa todas as adversidades para
alcançar seus ideais, representando não só a família brasileira, mas se instaurando como a forma
mais assertiva da construção simbólica de uma imagem positiva da população negra no nosso
país. “Estrelas além do tempo” é um filme que, no auge da segregação racial nos EUA, retrata
um certo empoderamento por parte de três mulheres negras dentro da NASA atendendo à luta
dos negros americanos, durante anos, ao quebrar o estigma de produções hollywoodianas que
representavam o negro sempre com o mesmo estereótipo. Estes dois textos exaltam questões
referentes a luta de mulheres negras em combater o racismo e o preconceito, capazes de alcançar
com voz ativa posições de poder e romper barreiras sociais rígidas. Conclui-se, então, que a
representatividade negra nas artes está viabilizando a construção do negro que se extenue dos
padrões conformistas e estereotipados criados por alguns autores e produtores. “Bará na trilha
do vento” de Miriam Alves e o filme “Estrelas além do tempo” vislumbram uma nova ótica na
produção cinematográfica e na prosa negra sem força no fenótipo.
Palavras-chave: Literatura afro-brasileira, Cinema norte-americano, Identidade, Negro.