Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 456

Página | 456 O QUE É O SOCIAL PARA A PSICANÁLISE? Jaime Sousa da Silva Júnior jaimesilvajunior@hotmail.com Orientador: Valéria Maia Lameira Instituição: PIBIC/UFMA valerialameira@hotmail.com RESUMO: O escopo desta pesquisa foi o de evidenciar o liame entre a constituição do sujeito e sua entrada no social, a partir da teoria psicanalítica fundada por Freud. Diante de críticas que são feitas à psicanálise, como sendo uma teoria ignoraria o social, os grupos, etc., apontamos o estudo de alguns textos da obra de Freud para evidenciar a não separação entre constituição do sujeito e o social. O caminho para abordar a questão de nosso interesse, se desenrolou não apenas nos ditos textos sociais de Freud. Desde seu “Projeto para uma psicologia científica”, Freud (1950[1895]/1996) aponta para a importância de um outro, presente desde a “primeira experiência de satisfação” do humano. Nele, Freud tenta explicar o funcionamento do sistema nervoso em termos neurológicos. O sistema nervoso funciona como um sistema reflexo complexo, incapaz de descarregar altos níveis de excitações, expresso pelo grito do infans. No texto “A interpretação de sonhos” Freud (1900/1996) apresenta sua teoria do aparelho psíquico e, funda a psicanálise, retomando a questão da experiência de satisfação e acrescenta uma particularidade: o organismo é um bebê. Este, diante da modificação interna: grita, esperneia, chora. Mas a dor causada pela estimulação endógena crescente só vai cessar diante da ajuda de um outro ajudador. O bebê, desde então, vai depender de um outro para que possa sobreviver, já que o máximo que consegue fazer é alucinar a experiência de satisfação No intuito de mostrar os caminhos que sustentam que o sujeito é um sujeito social, seguimos Freud (1905/1996) quando forja o conceito de pulsão e inaugura o estatuto psíquico para a energia que anima o aparelho mental, que possibilita um direcionamento de pulsões para outros objetivos. Sobre o Complexo de Castração, o falante vê que existe um outro que priva a mãe, dele, e conclui não ser ele o objeto de desejo da mãe, e assim, vive, retroativamente, as incidências da frustração nas idas e vindas da mãe. Em nossa empreitada, passamos pelos anos 1920, em que Freud avança em suas elaborações e escreve “Além do princípio do prazer”. Desta forma, mostramos que existe uma parte do aparelho psíquico que é inconsciente e que não é o recalcado, então nunca foi consciente. Daí Freud (1923/1996) postular a nova configuração do aparelho psíquico em Isso, Eu e Supere já que não é mais possível igualar a Consciência ao Eu, já que a maior parte do Eu é Inconsciente (FREUD, 1920/1996). A impossibilidade de ter acesso a todo o Eu já é anunciada desde a primeira experiência de satisfação, que barra algo que nunca será acessado. É desse núcleo do Eu do qual Freud fala no Projeto, que aproxima de das Ding. Por fim, concluímos nossa pesquisa acreditando mostrar que há uma sobredeterminação inconsciente, anterior à formação do Eu, que no entanto, o constitui; um ato mítico de fundação do Eu, do sujeito do Inconsciente, que sustenta o falante em suas relações sociais, porque alguém veio e atendeu ao seu grito. Palavras-chave: Psicanálise; Social; Freud; Lacan.