Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 436
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IMPORTÂNCIA E DESAFIOS DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA NA ERA DA
CONSPIRAÇÃO
Graça Mariel Soares Haicke
Graduanda em Ciências Biológicas - Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
marimisty@gmail.com
Orientador: Prof. Dr. Carlos Erick Brito de Sousa
Professor Adjunto do Departamento de Biologia – UFMA
carloserickbrito@gmail.com
RESUMO: O MMS (do inglês, “Solução Mineral Milagrosa”) é uma substância supostamente
capaz de curar malária, Alzheimer, câncer e autismo. O tratamento com MMS foi defendido
por livros traduzidos para vários idiomas e facilmente obtidos na internet, influenciando no
tratamento de crianças, idosos e enfermos com ingestão ou enema dessas soluções. Os efeitos
colaterais incluem intoxicação, excreção de muco e pedaços de revestimento intestinal, uma
vez que o MMS é dióxido de cloro, uma substância abrasiva usada pela indústria como alvejante
e clareador de madeiras. Seu uso já acarretou perda de parte do intestino, corrosão de órgãos
internos e óbito, prejudicando o desenvolvimento de crianças e debilitando ainda mais pessoas
que apresentam baixa imunidade. Diante desse panorama, preocupa o fato de este não ser um
caso isolado: pseudociência e negacionismo experimentam uma era de compartilhamento em
massa e legiões de adeptos. O movimento antivacinas ou a crença de que a AIDS é causada por
drogas são apenas algumas das correntes que tornaram-se graves problemas de saúde pública.
Nesse sentido, o presente estudo, de caráter qualitativo, busca discutir e promover reflexões
sobre esse cenário de instabilidade política, econômica e o crescente nível dos sentimentos de
ansiedade, impotência e alienação da população, terreno fértil para a disseminação de
informações falsas e teorias da conspiração. Assim, cabe investigar a disseminação de aspectos
da considerada pseudociência, cujo pensamento conspiracionista é reconfortante, pois faz o
mundo parecer mais simples e controlável. Nesse contexto, doenças graves passam a ter um
tratamento milagroso, por outro lado, cientistas tornam-se bodes expiatórios. Sabe-se que a
divulgação científica constitui importante ferramenta no enfrentamento dessa problemática, não
apenas alertando a população, mas retificando e desmitificando as informações em linguagem
acessível. Na era de algoritmos, bolhas sociais e conteúdos virais, incentivar o público a fazer
perguntas como “Qual a fonte da evidência?” e “Qual o raciocínio liga a evidência com a
afirmação?” pode ser mais importante do que apenas publicizar conteúdos. Nessa caminhada,
uma série de desafios ainda precisam ser superados: como maximizar o alcance da divulgação
científica para os mais diversos públicos? Como superar o efeito “tiro pela culatra”, onde a
argumentação deixa o público ainda mais na defensiva? Como buscar a valorização da
divulgação científica dentro da própria comunidade acadêmica? Existem diversas propostas e
debates frutíferos para estas e outras questões, ainda em construção, para os quais as ideias aqui
defendidas podem contribuir, uma vez que a divulgação científica vai além da teoria, ela é
necessária para uma sociedade saudável, crítica, que compreende e valoriza a educação e a
pesquisa.
Palavras-chave: Divulgação científica; Pseudociência; Saúde pública; Conspiração.