Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 434
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HISTÓRIA DA MULHER NO ESPORTE BRASILEIRO: MÍDIA E
NORMATIZAÇÃO DO CORPO FEMININO
Thaís Pinto Fontinele
Mestranda em psicologia, PPGPSI/UFMA
thaisfontinele@hotmail.com
Thaísa Drielle Louzeiro Privado
Mestranda em psicologia, PPGPSI/UFMA
thaisaprivado@gmail.com
Orientadores: Prof.ª Dr.ª Cristianne Almeida Carvalho e Prof. Dr. Márcio José de Araujo Costa
cristianne.01@uol.com.br, marciojacosta144@gmail.com
RESUMO: O presente trabalho objetiva problematizar a história das mulheres no universo
esportivo, perpassando as discussões sobre a construção de gênero e das representações sociais
das mulheres na contemporaneidade. A representação da mulher envolve convenções sociais e
discursos normatizadores que visam encerrar uma ideia de “natureza” feminina, reafirmada por
ideais que abarcam conceitos de beleza, feminilidade e maternidade. No âmbito esportivo há a
reiteração de discursos normativos, articulados em uma rede de poder-saber, que narram a
mulher enfatizando os seus corpos e aparências, engendrando papéis sociais heteronormativos.
A mídia é entendida como uma das tecnologias que interpelam a construção de saberes na
contemporaneidade e funciona como uma prática reguladora do gênero, delineando uma série
de normatizações sobre atributos que definem tipos específicos de performatividade da
“feminilidade”. A prática de atividades pré-esportivas existe no Brasil desde o séc. XVIII, mas
foi entre as décadas de 1830 e 1840 que houve a consolidação do campo esportivo em seu
caráter moderno. Essas práticas eram permitidas apenas aos homens, cabendo às mulheres
desempenhar o papel de exibição e assistência aos certames. Ao fim do séc. XIX e início do
séc. XX, com a propagação dos ideais eugenistas e higienistas, há, de fato, a gradativa inserção
das mulheres no universo do esporte, baseada na Política Nacional vigente e no projeto
civilizatório do país. Com vistas à educação do corpo e do fortalecimento da nação, o esporte
passou a representar um forte instrumento modelador das formas dos corpos femininos. Apesar
de o esporte ter passado a representar um espaço de sociabilidade das mulheres, cabe ressaltar
que o seu acesso ao campo esportivo foi precedido de normas e leis, como o Decreto-Lei n.3199,
de 1941, do Conselho Nacional de Desportos, que, baseado em um discurso estereotipado de
feminilidade, visava disciplinar essa prática, enfatizando a imagem da mulher como sexo frágil.
Essa regulamentação acarretou sérias consequências à inserção da mulher no universo do
esporte, pois impôs revés à ampliação da participação feminina nos espaços esportivos e
atenuou as iniciativas de incentivo às atletas. Ao longo do séc. XX surge o que Goellner (2009)
denomina de “cultura fitness”, entendida como um conjunto de intervenções e técnicas que, sob
o discurso da saúde e da qualidade de vida, propõe o esporte como o condutor de um estilo de
vida saudável. Entende-se que a inclusão da mulher no esporte amplia a circulação de produtos
e serviços voltados à beleza, à saúde e ao bem-estar. O corpo feminino torna-se alvo de
espetacularização e mercadorização. É nesse âmbito que a participação feminina no universo
esportivo ganha notoriedade e referência da mídia. Assim, entendemos que a imagem da mulher
no esporte é, por vezes, associada às representações estereotipadas que dão visibilidade aos seus
corpos e aparências.
Palavras-chave: História do Esporte; Psicologia; Corpo feminino; Mídia.