Caderno de Resumo do III SIICS Caderno de Resumos do III SIICS | Page 220

Página | 220 AS MULHERES DE MONTELLO: DISCURSO E IDENTIDADE EM “OS DEGRAUS DO PARAÍSO” Mylena Frazão da Cruz Graduanda de Letras-Espanhol / PIBIC-CNPq [email protected] Ilza Galvão Cutrim Professora-associada do DELER e do PG-Letras [email protected] Universidade Federal do Maranhão RESUMO: A segunda metade do século XIX trouxe a cidade de São Luís (MA) ares de modernidade e civilidade que vinham do outro lado do Atlântico, novos hábitos e costumes passaram a ser cultivados pela chamada high-life ludovicense. Homens e mulheres movimentavam as ruas e a sociedade, recebendo destaque da mídia da época e tornando-se personagens da ficção nos anos seguintes. Este trabalho, fruto de uma pesquisa intitulada A beleza feminina nas malhas discursivas do corpo “civilizado” (PIBIC-CNPq), toma como objeto de discurso a mulher e as práticas discursivas e sentidos identitários produzidas sobre ela. Aqui tomamos como corpus de análise a obra Os degraus do paraíso (publicada originalmente em 1965), de Josué Montello (1917-2006) – porque acreditamos que há um diálogo possível entre história e literatura –, onde este discorre sobre algumas mudanças que a chegada do novo século promovia, nos atendo as suas considerações sobre a mulher, seu comportamento e vestimentas. Ancoramos nossa pesquisa na Análise do Discurso de vertente francesa, de matiz foucaultiana, e suas considerações sobre discurso, prática discursiva, identidade e dispositivo. Para tecer discussão sobre a mulher ludovicense naquele período, nos alicerçamos em Silva (2008, 2011, 2013), Sales (2010), Bernardes (1988), Freyre (1987), Abrantes (2010), entre outros. Nossa análise permitiu constatar que a civilidade e a moda funcionam como dispositivos de subjetivação dos sujeitos, determinando comportamentos e identidades por meio de um discurso que sugere como a mulher deve ser comportar perante a sociedade e como ela deve vestir-se, estabelecendo normas de civilidade. Palavras-chave: Mulher. Moda. Civilidade. Os degraus do paraíso.