Boletim Kappa Crucis KAPPA01 -Primavera-2017 | Page 59

Boletim Astronomico KAPPA CRUCIS ­ No. 1 ­ Primavera 2017 ele condenar Aurora ao mesmo infortúnio, ao mesmo destino dele, ou seja, de não conseguir chegar ao destino e ver todos os planos e sonhos para um recomeço, uma nova vida, serem destruídos? Seria moral ou ético fazer isso? Ou a sua peculiar situação lhe daria um direito natural de sobreviver e procurar uma companhia humana? Ou isso seria uma atitude desprezível e egoísta do até então “herói” da história? Mas... Ele decide acordá­la. Jim diz que a Aurora que ela fora despertada devido a um similar mal funcionamento da cabine, como a que ele tivera. Ela se desespera num primeiro momento, mas depois, com a ajuda dele, se conforma e aceita a situação. Com o tempo, eles vão se conhecendo melhor, interagindo ambos com Avalon e com Arthur. Se apaixonam e vivem um romance, incluindo momentos de grande sensibilidade e bonitos, como um passeio no espaço, numa cena de linda fotografia. Com o tempo, Aurora resolve escrever um livro, relatando sua experiência em Avalon e a vida que teria nela por décadas ao lado apenas de Jim. Mas ela descobre a verdade, a princípio, sobre o seu despertar e se enfurece, chegando a atacar Jim fisicamente. Eles se separam um tempo e vivem separados se encontrando eventualmente nos corredores e espaços gigantescos e vazios da nave. Alguns eventos estranhos acontecem com Avalon. Um tripulante, Gus Mancuso (interpretado por Laurence Fishburne), desperta também em função de um mal funcionamento de sua cabine. Avalon apresenta mais eventos e esses se mostram cada vez piores, devastadores – uma cena nesse momento é particularmente fascinante, quando Aurora, ao tomar um banho de piscina com vista para o espaço sideral, vive uma situação perigosa e quase morre, quando os controles de gravidade de Avalon falham. A cena é um dos ícones do filme. O final... bem, o final triste ou feliz fica por sua conta! Assista e descubra. Pois o final é interessante e nos permite criar argumentos para descrevê­lo como um “final feliz” ou mesmo como um “final triste”. Particularmente achei o final interessante e bonito, com uma certa surpresa nas cenas finais, mas confesso que ficou uma sensação de que o filme poderia ter ido um pouco mais além para um desfecho mais dramático e rico, podendo, porque não, dar um gancho para uma Casal da trama ­ 55 ­ continuação, que certamente não teria absolutamente nada a ver com a premissa do primeiro filme. Algumas críticas ao filme focam o aspecto do enredo revelar o dilema de Jim cedo demais ou de não abordar a história a partir do olhar de Aurora, uma jornalista e escritora, alegando que seria mais rica a narração se comparada a de um simples mecânico ou engenheiro. A revelação do dilema mais no final da história talvez desse ao filme uma outra narrativa cena após cena, que poderia ser bem interessante. Mas não acho que o desenrolar do filme ficou ruim, pois o desvendar desse dilema e suas consequências relativamente no começo do filme, permitem uma abordagem bem clichê é verdade, mas também envolvente e dramática, até o clímax que envolve algumas revelações sobre Avalon. Outro destaque do filme deve ser feito aos atores. Chris Pratt e Jennifer Lawrence são carismáticos, talentosos e conseguem dar vida ao casal em Avalon, com muita química e qualidade, em muitas cenas que vão desde alguma comédia romântica a momentos de sensualidade e raiva. O mesmo vale as muitas cenas de ação, principalmente no desfecho da história. Arthur também recebe uma interpretação bem precisa e competente de Michael Sheen. Laurence Fishburne interpreta Gus Mancuso e, apesar do pouco tempo, das poucas cenas, o ator mostra um tripulante heroico e disposto a todo custo a salvar Avalon e a sua tripulação, além dos passageiros. Ele representa um instrumento para reaproximar Jim e Aurora. A fugaz aparição de Andy Garcia,