Boletim Astronomico KAPPA CRUCIS No. 1 Primavera 2017
ele condenar Aurora ao mesmo
infortúnio, ao mesmo destino
dele, ou seja, de não conseguir
chegar ao destino e ver todos os
planos e sonhos para um
recomeço, uma nova vida, serem
destruídos? Seria moral ou ético
fazer isso? Ou a sua peculiar
situação lhe daria um direito
natural de sobreviver e procurar
uma companhia humana? Ou
isso seria uma atitude
desprezível e egoísta do até
então “herói” da história?
Mas... Ele decide acordála. Jim
diz que a Aurora que ela fora
despertada devido a um similar
mal funcionamento da cabine,
como a que ele tivera. Ela se
desespera num primeiro
momento, mas depois, com a
ajuda dele, se conforma e aceita
a situação. Com o tempo, eles
vão se conhecendo melhor,
interagindo ambos com Avalon e
com Arthur. Se apaixonam e
vivem um romance, incluindo
momentos de grande
sensibilidade e bonitos, como
um passeio no espaço, numa
cena de linda fotografia.
Com o tempo, Aurora resolve
escrever um livro, relatando sua
experiência em Avalon e a vida
que teria nela por décadas ao
lado apenas de Jim. Mas ela
descobre a verdade, a princípio,
sobre o seu despertar e se
enfurece, chegando a atacar Jim
fisicamente. Eles se separam um
tempo e vivem separados se
encontrando eventualmente nos
corredores e espaços gigantescos
e vazios da nave. Alguns eventos
estranhos acontecem com
Avalon. Um tripulante, Gus
Mancuso (interpretado por
Laurence Fishburne), desperta
também em função de um mal
funcionamento de sua cabine.
Avalon apresenta mais eventos e
esses se mostram cada vez
piores, devastadores – uma cena
nesse momento é
particularmente fascinante,
quando Aurora, ao tomar um
banho de piscina com vista para
o espaço sideral, vive uma
situação perigosa e quase morre,
quando os controles de
gravidade de Avalon falham. A
cena é um dos ícones do filme.
O final... bem, o final triste ou
feliz fica por sua conta! Assista e
descubra. Pois o final é
interessante e nos permite criar
argumentos para descrevêlo
como um “final feliz” ou mesmo
como um “final triste”.
Particularmente achei o final
interessante e bonito, com uma
certa surpresa nas cenas finais,
mas confesso que ficou uma
sensação de que o filme poderia
ter ido um pouco mais além para
um desfecho mais dramático e
rico, podendo, porque não, dar
um gancho para uma
Casal da trama
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continuação, que certamente não
teria absolutamente nada a ver
com a premissa do primeiro
filme.
Algumas críticas ao filme focam
o aspecto do enredo revelar o
dilema de Jim cedo demais ou de
não abordar a história a partir do
olhar de Aurora, uma jornalista e
escritora, alegando que seria
mais rica a narração se
comparada a de um simples
mecânico ou engenheiro. A
revelação do dilema mais no
final da história talvez desse ao
filme uma outra narrativa cena
após cena, que poderia ser bem
interessante. Mas não acho que o
desenrolar do filme ficou ruim,
pois o desvendar desse dilema e
suas consequências
relativamente no começo do
filme, permitem uma abordagem
bem clichê é verdade, mas
também envolvente e dramática,
até o clímax que envolve
algumas revelações sobre
Avalon.
Outro destaque do filme deve ser
feito aos atores. Chris Pratt e
Jennifer Lawrence são
carismáticos, talentosos e
conseguem dar vida ao casal em
Avalon, com muita química e
qualidade, em muitas cenas que
vão desde alguma comédia
romântica a momentos de
sensualidade e raiva. O mesmo
vale as muitas cenas de ação,
principalmente no desfecho da
história. Arthur também recebe
uma interpretação bem precisa e
competente de Michael Sheen.
Laurence Fishburne interpreta
Gus Mancuso e, apesar do pouco
tempo, das poucas cenas, o ator
mostra um tripulante heroico e
disposto a todo custo a salvar
Avalon e a sua tripulação, além
dos passageiros. Ele representa
um instrumento para
reaproximar Jim e Aurora. A
fugaz aparição de Andy Garcia,