Boletim Kappa Crucis KAPPA01 -Primavera-2017 | Página 30

Boletim Astronomico KAPPA CRUCIS ­ No. 1 ­ Primavera 2017
No dia 19 de janeiro de 2006, a sonda New Horizons é lançada de Cabo Canaveral na Flórida pela NASA rumo a Plutão pelo foguete Atlas V. A bordo dela vai junto uma caixa metálica com as cinzas de seu descobridor, o estadunidense Clyde Tombaugh, e uma inscrição:“ O descobridor de Plutão e da terceira zona do Sistema Solar”. Uma alusão ao Cinturão de Kuiper, uma região com forma de disco que se localiza além de Netuno, entre 30 e 50 UA, e que foi sugerida pelo astrônomo Gerard Kuiper( Harenkarspel­Holanda, 1905 – Cidade do México­México, 1973) em 1951, e depois confirmada pela comunidade astronômica.
interpretou a si mesmo, ao lado de atores que interpretaram grandes personagens históricos: Isaac Newton( Woolsthorpe­by­ Colsterworth / Lincolnshire­ Inglaterra, 1643 – Londres, 1727) e Albert Einstein( Ulm­ Alemanha, 1879 – Princeton, 1955). A Imagem mais nítida de Plutão até hoje foi obtida pouco antes de sua máxima aproximação ao planeta anão. Antes tínhamos imagens borradas da própria New Horizons quando se aproximava nos últimos meses, e outras borradas, sem nitidez, feitas pelo Telescópio Espacial Hubble, em órbita da Terra. Essa imagem enviada pela New Horizons tem mil vezes mais nitidez que a até então melhor do Hubble. E ela tinha um... coração! Uma enorme área aparentemente homogênea da superfície de Plutão, que com igual imaginação e poesia, pode também ser interpretada como uma ave com as asas abertas. Interpretações que podem enriquecer toda uma nova mitologia sobre esse distante, misterioso e fascinante mundo.
As câmeras da sonda New Horizons são extremamente potentes e são capazes de observar, por exemplo, com detalhes a cidade de Holambra ou o Parque Portugal( Lagoa do Taquaral) em Campinas a 12 mil km de altura ou distância. Podemos fazer uma analogia desse sobrevoo da New Horizons. Imagine a sonda sendo um micróbio. Esse micróbio realiza uma viagem de Campinas até o Rio de Janeiro, percorrendo quase 500 quilômetros. Ao chegar ao seu destino, o sobrevoo dessa sonda micróbio ocorre a uma distância de um metro de uma bola de futsal. Essa foi a aventura da sonda espacial da NASA. A missão custou US $ 720 milhões. A New Horizons tem uma massa de 478 quilos e uma largura de 2,7 metros, altura de 0,7 metro e comprimento de 2,1 metros( tamanho da antena), e é a sonda mais rápida já construída, chegando em média a 58 mil quilômetros por hora! Em nove horas apenas, a New Horizons cruzou a órbita da Lua, o que as missões Apollo nas décadas de 1960 e 1970 levaram
­ 26 ­ de 2 a 3 dias para fazer! Ela saiu em 19 de janeiro de 2006, levada ao espaço pelo foguete Atlas V, do Cabo Canaveral na Flórida, Estados Unidos. Foram quase nove anos e meio de viagem! Em seu longo percurso, a New Horizons passou bem perto de Júpiter, em 28 de fevereiro de 2007, onde exercitou seus sistemas e instrumentos, posicionando­se para ganhar um planejado impulso gravitacional, atingindo por um tempo curto a velocidade espetacular de 83 mil km por hora, fazendo a sonda economizar cerca de 3 anos e 8 meses de viagem. Esse impulso garantiu à sonda chegar mais rápido a Plutão, pois levaria cerca de 14 anos sem esse impulso. Por outro lado, a sonda passou pelo planeta anão a uma velocidade maior também e por um tempo menor. Após passar por Júpiter, a New Horizons entrou num estado de hibernação por 7 anos, ou seja, cerca de dois terços de sua viagem,“ acordando” algumas poucas vezes nesse tempo para um sinal de“ oi”. Ela passou também pelas órbitas de Saturno em 8 de junho de 2008( sua maior aproximação ao planeta dos gigantes anéis), de Urano em 18 de março de 2011 e de Netuno em 25 de agosto de 2014, datas das maiores aproximações também desses gigantes gasosos. E em 6 de dezembro de 2014, ela foi despertada da hibernação, quando então começou a mirar e observar Plutão, ainda muito distante, com imagens ainda pouca definidas. Seu destino se aproximava rapidamente..
Além das imagens, a sonda estudou a fina e peculiar atmosfera de Plutão, a geologia dele e a ação do vento solar no planeta anão. Conseguiu imagens detalhadas da superfície, com cordilheiras de montanhas com cerca de 3,5 mil metros de altura. A New Horizons, em sua missão,