Bionewslogia 1 | Page 22

Gene zumbi que

protege

os elefantes

do câncer

Às vezes essas cópias vêm com modificações que as tornam inúteis. Basta mudar algumas letrinhas no DNA para ter em mãos um gene que serve para, grosso modo, nada. Ele só fica lá, pegando carona nas nossas células sem exercer função alguma. Esses genes foram apelidados de “mortos” (embora não estejam mortos de fato: genes são moléculas, e moléculas não são coisas vivas para poderem morrer).

O LIF6 é um gene morto. A não ser quando ele encontra o lendário p53. Assim que ele recebe o recado do p53 – de que há um trecho de DNA danificado – ele é ativado e produz uma espécie de proteína terrorista: ela vai até a mitocôndria, que é a usina de energia da célula, e abre buracos em sua parede até desativá-la. No mundo microscópico, esse é o equivalente de explodir uma hidrelétrica: um apagão generalizado em toda a cidade. Sem energia, a célula morre. O que, nesse caso, é ótimo: morta, ela não se reproduz – impedindo que a mutação se espalhe e vire câncer.

Os elefantes esbanjam 8 cópias do LIF, embora só uma delas, até onde se sabe, seja funcional (a número 6 – daí o nome). Sem esse gene kamikaze, o animal nunca teria podido alcançar o tamanho que alcançou. No ritmo em que suas células precisam se multiplicar para deixá-lo grande desse jeito, é quase certo que danos letais no DNA vão aparecer. Só com uma barreira de defesa sólida assim é possível combatê-los.