BECOOL 19 | Page 31

“Minha ideia é anterior a este momento de euforia em relação ao Brasil”. E saí de lá boquiaberto. O primeiro Rio era uma ideia antiga sua. A sequência também? Não mesmo. A sequência foi uma ideia da distribuidora (a Fox), por conta do sucesso do primeiro filme. Quando eles me abordaram, a única coisa que eu sabia é que gostaria de falar mais do Brasil, agora de uma outra parte do nosso país. Primeiro pensei em uma cidade, quem sabe Salvador? Aí pensamos que a diferença entre os dois filmes, a vontade de fazer algo de fato original, passava por uma lupa de aumento, tudo teria de ser bem maior. Começamos a namorar a ideia da Amazônia. Quando traçamos a motivação temática da sequência do filme, ou seja, o encontro de Blu, Jade e seus três filhotes, com o mundo selvagem de onde seus antepassados vieram, não tinha mais volta. E tem toda a viagem deles até lá, saindo do Rio. Você mostra o centro do país, as chapadas, o cerrado... Sim. É relativamente rápido, é uma montagem de animação, mas fiz questão de mostrar Ouro Preto, Brasília, fazemos o caminho certinho, ilustramos, para o mundo, o tamanho continental do nosso país. Dentre os novos personagens mais divertidos há uma tartaruga capoeirista e uma preguiça que fala rápido demais. De onde é que você tira estas criaturas? A base do filme ainda são os pássaros. E pássaros azuis. Jade irá reencontrar seu pai (cuja voz na versão original é de Andy Garcia) e uma tia querida (Rita Moreno). Eles pensavam que eram os últimos de sua espécie, de certa forma o mote do primeiro filme, e agora descobrem que não é bem assim. Aí criamos um subenredo envolvendo o carnaval e um grupo eclético de personagens, queríamos investir na riqueza da fauna brasileira. Tem anta, macacos, boto cor-de-rosa, piranha. Quem adorou a preguiça, e fala rápido pacas, é a Janelle Mónae, que fez a música de abertura e assumiu, na versão original (não-dublada em português), a voz de seu persinagem favorito. Ficou engraçado pacas. Eu a conheci no Rock in Rio, nos bastidores, ela tinha se apaixonado pelo Brasil e me ofereceu a música inédita. Se em Rio a gente começa a história com um sambão, agora damos o start no Ano Novo carioca, Copacabana, na ideia mesmo de uma possibilidade de recomeço, de reinvenção, que era o que estávamos tentando fazer também com os personagens principais. Voltamos ao momento político e s