“Minha ideia é anterior a este
momento de euforia em relação ao Brasil”.
E saí de lá boquiaberto.
O primeiro Rio era uma ideia antiga sua. A sequência também?
Não mesmo. A sequência foi uma ideia da distribuidora (a Fox),
por conta do sucesso do primeiro filme. Quando eles me abordaram, a única coisa que eu sabia é que gostaria de falar mais do
Brasil, agora de uma outra parte do nosso país. Primeiro pensei
em uma cidade, quem sabe Salvador? Aí pensamos que a diferença entre os dois filmes, a vontade de fazer algo de fato original,
passava por uma lupa de aumento, tudo teria de ser bem maior.
Começamos a namorar a ideia da Amazônia. Quando traçamos a
motivação temática da sequência do filme, ou seja, o encontro de
Blu, Jade e seus três filhotes, com o mundo selvagem de onde
seus antepassados vieram, não tinha mais volta. E tem toda a
viagem deles até lá, saindo do Rio.
Você mostra o centro do país, as chapadas, o cerrado...
Sim. É relativamente rápido, é uma montagem de animação, mas
fiz questão de mostrar Ouro Preto, Brasília, fazemos o caminho
certinho, ilustramos, para o mundo, o tamanho continental do
nosso país.
Dentre os novos personagens mais divertidos há uma tartaruga capoeirista e uma preguiça que fala rápido demais.
De onde é que você tira estas criaturas?
A base do filme ainda são os pássaros. E pássaros azuis. Jade irá
reencontrar seu pai (cuja voz na versão original é de Andy Garcia)
e uma tia querida (Rita Moreno). Eles pensavam que eram os
últimos de sua espécie, de certa forma o mote do primeiro filme,
e agora descobrem que não é bem assim. Aí criamos um subenredo envolvendo o carnaval e um grupo eclético de personagens,
queríamos investir na riqueza da fauna brasileira. Tem anta, macacos, boto cor-de-rosa, piranha. Quem adorou a preguiça, e fala
rápido pacas, é a Janelle Mónae, que fez a música de abertura e
assumiu, na versão original (não-dublada em português), a voz de
seu persinagem favorito. Ficou engraçado pacas. Eu a conheci no
Rock in Rio, nos bastidores, ela tinha se apaixonado pelo Brasil e
me ofereceu a música inédita. Se em Rio a gente começa a história com um sambão, agora damos o start no Ano Novo carioca,
Copacabana, na ideia mesmo de uma possibilidade de recomeço,
de reinvenção, que era o que estávamos tentando fazer também
com os personagens principais. Voltamos ao momento político e
s