Destaca-se ainda Katharine Burr Blodgett, a primeira mulher cientista a ser contratada pelos Laboratórios de Investigação da General Electric, em 1918. Mais tarde, tornou-se também a primeira mulher a obter um doutoramento em física na Universidade de Cambridge.
Na General Electric, trabalhou com Irving Langmuir no desenvolvimento de revestimentos extremamente finos aplicados ao vidro, capazes de reduzir o brilho e os reflexos. Este trabalho levou à criação de vidro não refletor, utilizado em telescópios, microscópios, óculos e câmaras. As suas descobertas tiveram também impacto na eficiência energética, nomeadamente em painéis solares e em tecnologias de iluminação.
A sua carreira incluiu ainda contributos em áreas como máscaras de gás e sistemas de descongelamento de asas de avião. Em 2007, foi incluída no National Inventors Hall of Fame.
Por fim, Branca Edmée Marques foi uma professora universitária e cientista portuguesa de grande relevo. Licenciou-se em Ciências Físico-Químicas na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde viria a lecionar e a tornar-se a primeira mulher professora catedrática na área da Química em Portugal.
Realizou investigação em Física Nuclear no Instituto do Rádio, em Paris, sob orientação de Marie Curie e, posteriormente, de André Debierne. Doutorou-se em 1935 com a classificação mais elevada, com uma tese sobre o fracionamento de sais de bário radífero.
De regresso a Portugal, criou o Laboratório de Radioquímica, que esteve na origem de um dos primeiros centros de investigação em Química no país. Publicou vários trabalhos científicos em revistas internacionais e contribuiu significativamente para o desenvolvimento da investigação científica em Portugal. A Câmara Municipal de Lisboa atribuiu o seu nome a uma rua na Cidade Universitária, em 2009, como forma de homenagem.
Sem o contributo das mulheres ao longo da história, a evolução da ciência teria sido muito mais lenta e, possivelmente, incompleta. Áreas como a geologia, a saúde, a matemática, a programação, a física e a química teriam ficado marcadas por lacunas importantes, com descobertas fundamentais a surgir mais tarde, ou talvez nunca da mesma forma.
É possível imaginar um mundo em que o desenvolvimento de tratamentos médicos fosse mais limitado, em que o conhecimento sobre a estrutura da Terra ou da vida não estivesse tão avançado, ou em que a tecnologia e a computação não tivessem evoluído com a mesma rapidez. Sem diferentes perspetivas e contributos, a ciência teria crescido de forma mais lenta, condicionada por ideias e visões incompletas - como se, ao longo do tempo, faltassem peças essenciais para que o conhecimento se tornasse verdadeiramente completo.