atómica maio de 2026 | Page 21

Os participantes na experiência "Astronauta por um Dia" em 2025!

Maria Vieira com o seu entrevistado, Miguel Virgílio.

Maria: O que aprendeu?

Miguel: Aprendemos muitas coisas diferentes. Uma das mais importantes foi exatamente a trabalhar em equipa, que é importante para se ser astronauta, para se ser jogador de uma modalidade qualquer, para se estar no trabalho com alguém, para a própria vida, e por isso, trabalhar em equipa, saber coordenar uma equipa também, porque nós tivemos que saber coordenar uma equipa. Foi bastante importante. Capacidades de comunicação também foram bastante trabalhadas, não só para a nossa função enquanto embaixadores, mas também vamos convir que alguém que quer ser astronauta e participar em missões como agora a Artemis II vai ter de fazer discurso para a terra, como estão a fazer também agora, e por isso convém ter também uma boa capacidade de oratória. Depois aprendemos bastantes coisas sobre física, sobre química, também algumas coisas e também sobre biologia, quando fomos deixados na floresta, a capacidade de sobrevivência que também tivemos que adquirir e por isso foi muita coisa que nós aprendemos, mas principalmente fomentaram-se grandes amizades, ainda hoje temos um grupo no WhatsApp que ainda está ativo desde setembro que foi quando nós fizemos o voo parabólico e por isso sim, são amizades que se criam para a vida.

Maria: Como é que a experiência mudou a sua forma de ver o mundo?

Miguel: Nós estivemos com o James Pawelczyk, que pilotou a nave, foi um dos três pilotos que conduziram o avião, que esteve no espaço e escreveu um livro sobre a sua viagem à Estação Espacial Internacional, e disse-nos, quando falou connosco, que quando se olha para o mundo lá de cima, percebe-se que os conflitos que existem cá em baixo, quer sejam os nossos conflitos pessoais ou guerras que há no mundo, são insignificantes. Lá de cima não se consegue ver, não se consegue distinguir se quem está cá em baixo é a Maria ou é o Miguel, e por isso as coisas relativizam-se um bocado. Não tive oportunidade de ver o mundo assim, mas, de facto, sentir a microgravidade fez-me também pensar que é possível, que não é algo distante, ou seja, não é algo que só vemos, na televisão, os astronautas a fazer, ou agora a missão da Artemis II, e ir a lua seria um sonho para qualquer um de nós, mas é algo cada vez mais próximo, que podemos sentir. e tal como disse na entrevista que dei à SIC, que se calhar podia a vir a ser o primeiro astronauta português, quem sabe?

Maria: Que conselhos darias a alunos que tencionam participar na próxima edição, e ao que já estão a participar nesta?

Miguel: Aos que já estão a participar nesta e já passaram a primeira fase, a do vídeo, digo que já passaram pelo mais difícil. A partir de agora, desfrutem acima de tudo. É normal que haja nervos, porque eu também estava nervoso, e se não estiverem é mau sinal, porque os nervos mostram que se importam, querem passar e isso é um objetivo sério, portanto não tentem apagar esses nervos, que são importantes, mas desfrutem, não só o voo parabólico, auge de toda esta experiência, mas todas as fases por que passaram. Aproveitem porque também levam lições para a vida, convivam com as pessoas que estão lá porque são pessoas que têm o mesmo interesse que vocês e são amizades que podem fazer. Estão a competir nas provas físicas, 100* pessoas a competir ao mesmo tempo por 25* lugares, aqui em lisboa, mas deixar um pouco essa competição de lado para poderem também conviver é interessante, vocês conseguem, mesmo que não consigam passar agora, de certeza vai haver mais oportunidades no futuro. O João foi um dos participantes que foi finalista comigo, já tinha participado quatro vezes antes de ser selecionado, foi à quarta que conseguiu, e por isso o não, não é um não definitivo: podem sempre voltar a participar e voltar a ter outras experiências diferentes desta.

Maria: Algo mais que queira acrescentar?

Miguel: Dizer que o Espaço é algo que está aberto a todos, e por isso, quando virem iniciativas como esta, não tenham medo de participar. Participem e inscrevam--se! isto tem muito mais atividades, o Cansat, por exemplo, com o objetivo de construir satélites, para quem tem interesse nesta área, o Euroc, e muitos mais, são atividades em que já participei, e posso dizer-vos que são extraordinárias. Mais do que nunca, a nossa geração tem a oportunidade de participar neste tipo de programas e iniciativas, e se nos dão estas oportunidades, acho que devemos aproveitar, e se têm o interesse por esta área participem e inscrevam-se!** ◼

*NOTA 1: O número de candidatos em cada fase pode pode variar consoante a edição.

**NOTA 2: Astronauta por um Dia: site oficial.