atómica maio de 2025 | Page 31

No ano 79 d.C., um dos vulcões mais perigosos da Europa acordou com uma força devastadora, alterando para sempre o curso da história da região da Campânia, em Itália. A erupção do Monte Vesúvio cobriu em poucas horas as cidades de Pompeia, Herculano e Estábia com cinzas e materiais vulcânicos, preservando-as de forma quase intacta durante séculos. Mais do que uma catástrofe natural, este episódio tornou-se um marco na história da vulcanologia, oferecendo aos cientistas modernos um “instantâneo” excecional da vida no Império Romano.

Neste artigo, exploramos o fenómeno geológico que esteve na origem da erupção, o tipo de vulcanismo envolvido e as consequências científicas e históricas deste evento  extraordinário.

O vulcanismo por trás da erupção de 79 d.C está relacionado com o tipo de formação vulcânica, o processo geológico e as características da erupção.

Origem geológica

O Vesúvio é um estratovulcão, ou seja, um vulcão composto por várias camadas de lava e cinzas acumuladas ao longo de múltiplas erupções, formando o tal cone vulcânico íngreme. Esse tipo de vulcão ocorre principalmente em zonas de subducção, onde uma placa tectónica se move para baixo de outra. No caso do Vesúvio, ele está localizado na região da convergência entre a Placa Eurasiática e a Placa Africana, especificamente numa região onde a Placa Africana está a submergir sob a Placa Eurasiática, um processo que gera uma grande quantidade de magma.

Processo de erupção

A erupção do Vesúvio de 79 d.C. foi um exemplo clássico de erupção explosiva, típica dos vulcões estratovulcânicos. O magma do Vesúvio contém uma grande quantidade de gases dissolvidos, como dióxido de enxofre e vapor de água, que ao ascender para a superfície, causam uma pressão interna crescente. Quando essa pressão se torna insustentável, ocorre uma liberação súbita de gases e materiais vulcânicos, provocando uma erupção violenta.

 Tipos de erupções durante o evento de 79 d.C.

A erupção começou com uma fase do tipo pliniano (um tipo de erupção explosiva), em que uma enorme coluna de cinzas e gases foi lançada a grandes altitudes, podendo ter alcançado até 33 km de altura. Essa coluna de material vulcânico foi levada pelos ventos e cobriu vastas áreas da região, incluindo as cidades de Pompeia e Herculano.

Além disso, o vulcão liberou fluxos piroclásticos, que são nuvens densas e extremamente quentes de gás, cinzas e fragmentos de rochas. Esses fluxos desceram pelas encostas do vulcão a grande velocidade, devastando tudo no seu caminho, incluindo as cidades próximas.

Consequências

Pompeia e Herculano: A cidade de Pompeia foi coberta por uma espessa camada de cinzas, que acabou por preservar muitos edifícios, móveis e até os corpos das vítimas. Já Herculano foi destruída principalmente por fluxos piroclásticos, que a soterraram.

Impacto a longo prazo

A erupção teve um impacto significativo na região, causando muitas mortes e destruindo grande parte da infraestrutura local. O evento também alterou a geografia da região, criando novas formações de terreno e alterando  ecossistemas.

 Corpos... De Pedra?

Durante a erupção do Monte Vesúvio foram libertadas ondas gigantes de material piroclástico, maioritariamente cinzas, a temperaturas altíssimas.

Acredita-se que a catástrofe de Pompeia tenha decorrido em fases. Na primeira, o vulcão libertou gás, cinzas e pedra, que abateram telhados e árvores e provocaram a morte de vários indivíduos. Destas vítimas terão sobrado somente os ossos.

A segunda fase, apontada como a mais letal, baseou-se numa série de ondas piroclásticas que se deslocavam a altas velocidades (100 km/h), onde massas de rochas, cinzas e gás escaldantes, entre os 300 e 600 º C, se espalharam pela cidade, onde a maioria dos habitantes terá falecido instantaneamente por choque térmico.

Como consequência do choque térmico em cadáveres, muitos dos corpos encontrados evidenciam espasmos cadavéricos – contrações musculares repentinas, como dedos dos pés contraídos.

Estes cadáveres foram cobertos, no espaço de horas, por grandes camadas de cinza, que alcançaram até 25 metros de altura.

Dentro das cinzas, os corpos decompunham-se de forma lenta devido à ausência de oxigénio, luz e outros organismos que agilizariam o processo de decomposição se presentes. Simultaneamente, as cinzas iam compactando e solidificando, conforme a humidade evaporava, até ficarem coesas o suficiente para preservar um molde exterior – negativo – do corpo que rodeava, mesmo após a sua decomposição.

No século XVIII, arqueólogos descobriram câmaras de ar soterradas, onde se encontravam ossos. Rapidamente chegaram à conclusão que era um molde oco que preservava o formato do cadáver, e através de um método criado por Giuseppe Fiorelli, líder das pesquisas, as câmaras foram preenchidas com gesso, permitindo a sua escavação, e a obtenção de moldes com formato humano.

Estes moldes são os que podemos ver expostos no Museo Pompeano, e alguns chegam a guardar muitos detalhes, como pregas de roupa e expressões faciais.

Molde de um cão

(Crédito: Jebulon, CC0, via Wikimedia Commons)

Heavily Clothed Man

(Crédito: National Gallery of Art, CC0, via Wikimedia Commons)