O uso de poções mágicas não se restringiu apenas à Europa. Na China o primeiro imperador, Qin Shin Huang, possivelmente terá morrido por ter ingerido um elixir feito à base de mercúrio e que o tornaria imortal. Ora a toxicidade do mercúrio é elevada e atualmente bem documentada. Trata-se de um metal pesado neurotóxico, capaz de causar danos graves ao sistema nervoso, rins e outros órgãos, mesmo em baixas doses! Dois mil anos depois, no século XVIII, o imperador Yongzheng morreu por causa de um elixir semelhante.
Na América, os aztecas também produziram os seus elixires, por exemplo, a poção de cauda de opossum, que causaria o trabalho de parto. Não há, no entanto, descrição química precisa confiável desta preparação. Os seus efeitos estavam associados às qualidades associadas ao animal (resistência, retorno da morte aparente) e o rito que acompanhava a ingestão era tão importante quanto a poção em si.
A eficácia das poções mágicas, em muitos casos pode ser explicada através da psicologia. A crença numa poção pode ter um efeito psicológico, no qual a expectativa de um resultado positivo pode influenciar a perceção e o comportamento de uma pessoa, o designado efeito placebo. A prática de cura e o uso de misturas pode ter um valor significativo para aqueles que acreditam nelas.
Em suma, uma análise moderna da composição química das várias substâncias presentes nos ingredientes das poções, permite perceber os seus efeitos nos seres humanos, alguns benignos, outros inócuos, outros nocivos. No entanto, na falta de conhecimento científico, estes efeitos eram muitas vezes explicados como mágicos. As poções eram feitas a partir de produtos naturais, sobretudo plantas e alimentos, cujos efeitos reais no corpo humano não eram bem compreendidos. Aquilo que no passado era considerado magia foi, muitas vezes, o primeiro passo para o desenvolvimento da medicina.
Afinal, a verdadeira magia pode estar na intenção e na conexão que as pessoas sentem com as suas tradições e rituais. ◼