atómica fevereiro de 2026 | Seite 32

Ilustração © António Rodrigues

O último problema, se todos os outros tivessem uma solução, seria “ativar” esse mesmo organismo. Bastaria (não sendo nada fácil) pôr o coração e o cérebro a funcionar para os outros órgãos consequentemente começarem a funcionar também. Ambos precisam de constante circulação de sangue para receberem oxigénio e nutrientes, de modo que teriam de estar bem preservados, para ainda conseguirem exercer as suas funções vitais. O coração consegue aguentar, preservado fora de um organismo, até 2 dias, em condições perfeitas (graças a tecnologia capaz dessa tarefa, que existe). Já o cérebro constitui um problema mais difícil. Na melhor das hipóteses, com os melhores meios possíveis, aguenta 12 horas fora de um organismo, mas mesmo que seja dado como “vivo”, sofre danos irreversíveis assim que morra o organismo em que se encontrava. Qualquer outro órgão já consegue ser preservado sem perder as suas funções necessárias para um bom funcionamento do organismo. Concluindo estas teorias de como seria feito o sistema do monstro de  Frankenstein, nada atualmente é capaz de ligar tantos tecidos microscópicos ou reanimar perfeita e totalmente as células do organismo. Mesmo se possível, uma complicação final impedia o seu acabamento, “ressuscitar” o cérebro: por outras palavras, dar uma alma e consciência própria a este monstro. Com tantos “ses” e teorias, parece já óbvio não ser possível tal ideia, mas... o que é o impossível no mundo em que vivemos? Se um futuro imprevisível e fascinante ocupa todos os amanhãs, devemos dar como garantido a impossibilidade da realização da experiência de Victor Frankenstein?