atómica fevereiro de 2026 | Page 23

Provavelmente já se cruzou com esta imagem de um rinoceronte num compêndio escolar ou ilustrando algum artigo.

O famoso desenho de Albrecht Dürer, encerra uma história curiosa. O rinoceronte em causa terá vindo de Cochim em 1515, para ser presenteado ao rei Dom Manuel I e posteriormente ao Papa Leão X. Desembarcou em Lisboa, no local onde decorria a construção da Torre de Belém, daí estar representado na guarita noroeste da Torre.

Dürer, baseando-se em relatos e num esboço feito por um editor de Lisboa, representou o animal cheio de adornos fantasiosos, mas ainda assim, conseguiu dar à figura uma aparência real, viva, tridimensional.

Como até ao século XV os desenhos de animais e outros objetos naturais eram pouco detalhados, sem perspetiva e davam uma fraca ideia do original, o desenho de Dürer fez a diferença em relação ao passado.

Apesar do inusitado da situação, contrariando o que se preconiza numa ilustração dita “científica”, a sua obra foi considerada um marco da iconografia científica.

A ilustração científica consiste na produção de imagens que auxiliam na comunicação visual da ciência - exige rigor, expressividade, qualidade estética, métodos artísticos indispensáveis, e o mais importante, é uma ferramenta fundamental para a a aproximação da ciência e da sociedade. Permite que a ciência chegue, em imagens, não só a especialistas, mas também ao público em geral. É uma arte ao serviço da ciência.

Ilustrar significa muito mais do que fazer uns rabiscos e pintar. Desenhar é ajudar a ver.

O ilustrador utiliza técnicas tradicionais como tinta-da-china, aguarelas, grafite, lápis de cor; mistura arte, sensibilidade, conhecimentos científicos apurados e muita disposição para a pesquisa.

Na ilustração científica não há espaço para a ambiguidade. Revela detalhes que não se destacam numa fotografia e dá enfâse a pormenores que se pretendem evidenciar.

Rinoceronte - Xilogravura, Albrecht Dürer, 1515.