mercado perfumaria
não são fragrâncias tão comerciais, mas
estavam muito dentro do conceito que a
gente queria.
A inteligência artificial permite am-
pliar o uso da paleta, além de tornar o
processo mais rápido. Você acha que
sistemas como esse podem ajudar a
resgatar um pouco da capacidade de
pensar mais fora da caixa, que talvez
na correria de hoje, com um grande
volume de projetos e a necessidade de
sempre “vencer” projetos, as casas tal-
vez tenham perdido?
Eu acho que a gente consegue ampliar
as possibilidades que hoje podem ficar
limitadas, às vezes até por experiências
e gostos pessoais, seja do perfumis-
ta, seja do avaliador ou até do cliente.
Quando você consegue ligar o que o
consumidor está falando numa mídia
social, que perfume ele experimentou e
gostou – excluindo a questão da marca
que ainda exerce uma influência muito
grande nesse mundo, de mídia e etc. –
com a capacidade de ampliar o uso da
paleta na criação, eu acho que esse é o
ganho da inovação. Os perfumistas têm
a sua linha de ingredientes, de acordes e
famílias olfativas com as quais eles mais
gostam de trabalhar...
Eles têm estilos?
Eles têm estilos. Temos muito bem ma-
peado qual é o gosto de cada um e do
que a gente precisa para cada um, como
motivamos e exploramos os pontos for-
tes de cada perfumista. Isso é parte do
nosso trabalho dentro do NIO – Nucleo
de Inteligencia Olfativa que criei a cerca
de cinco anos.
Vocês já direcionam os perfumistas
quando fazem os briefings?
Dependo do projeto, pois não é uma de-
cisão totalmente nossa. Dentro das casas
existe toda uma sistemática de utilização
dos perfumistas além da própria ques-
tão da disponibilidade deles também.
Mas, às vezes, fazemos projetos exclu-
sivos com determinados perfumistas,
porque queremos explorar o know how
dele ou até a imagem daquele criador,
por ele ser reconhecido por fazer um flo-
ral muito bom, uma madeira inovadora
ou um acorde frutado que é o único.
O DUO EGEO ON: a marca
correu para ser a primeira
a lançar um perfume
desenvolvido com a tecnologia
de inteligência artificial.
Nesse processo de criação, como vocês
se equilibram entre inovação e risco?
Sempre buscamos a inovação, mas isso
depende muito de cada marca. Tenho
marcas que não podemos seguir uma
linha de inovação muito disruptiva,
porque isso não conversa com o coração
dela efetivamente. Nós temos sempre
uma escala de inovação, que aponta
desde coisas que estão muito próximas
ao coração de cada marca até as coisas
que são mais distantes. É uma discussão
de régua e calibração e não é uma régua
linear, é uma régua 360º, que lhe permi-
te ir para qualquer lugar. Você pode pu-
xar mais madeira, ou puxar mais para o
verde, ou reforçar o aspecto floral... Não
é algo linear e justamente isso é a Beleza
da Perfumaria.
Como você acredita que a inteligên-
cia artificial pode impactar o futuro da
perfumaria?
Eu acredito muito em novas tecnolo-
gias, como a inteligência artificial. Esta-
mos muito próximos das casas, acompa-
nhando o que esses têm desenvolvido.
Fizemos uma viagem, recentemente,
para conhecer o Carto (o sistema de inte-
ligência artificial da Givaudan), ficamos
surpresos com a ferramenta, criamos
AtuAlidAde COSMÉtiCA
26 # 167 | jun/jul 2019
uma fragrância rapidamente durante a
visita. Mas, cada um desses sistemas,
consegue trabalhar numa parte, num
aspecto do processo. Você não tem no
mercado hoje um sistema que faça tudo,
que integre todos os aspectos da criação.
E por quê? Porque na perfumaria você
também tem sentimento e experiências.
Criações que lá atrás funcionavam e
agora não funciona mais e coisas que
testadas lá atrás não funcionaram e que,
hoje em dia, talvez funcionem. Você
nunca vai substituir o ser humano. Pode
criar um sistema super tecnológico, que
consiga ser assertivo, rápido, mas ele
não tem essa experiência, ele não tem
esse feeling que o ser humano tem de
falar “essa fragrância tem algumas ca-
racterísticas que a gente procura numa
fragrância”. São algumas características
que valorizamos e que ao sentiremos
determinada fragrância, podemos dizer:
“essa fragrância tem isso”, e são justa-
mente esses atributos que fazem com
que essas fragrâncias sejam um sucesso.
Você pode destacar alguns desses atributos
que vocês buscam sempre numa criação?
A gente se preocupa muito com dura-
ção, então nossas fragrâncias de manei-
ra geral, e a gente estuda muito isso, e
é mais reconhecida no nosso mercado,