As ruas e a democracia. Ensaios sobre o Brasil contemporâneo | Page 141
e da crise econômico-financeira das grandes potências. Também será decisivo o modo como entrará no novo mundo: com
que produtos, com que tecnologia, com qual projeto de sociedade. Mas também é razoável supor que boa parte de seu sucesso
futuro dependerá da capacidade que tiver de praticar, com maior
vigor, políticas de integração regional que se ponham num patamar mais amplo do que o intercâmbio comercial, ou seja, que
aproximem de fato povos, regiões, sociedades e culturas e se sintonizem com as particularidades dos diferentes países. Nesse
particular, não somente o governo Dilma, mas também os anteriores, avançaram e realizaram muito pouco.
O núcleo da política externa continua a seguir uma perspectiva plural, que valoriza a paz, o multilateralismo, a abrangência e a abertura para o mundo. Esta política, que se reproduz
desde meados dos anos 1980, define-se pela busca de autonomia
(VIGEVANI; CEPALUNI, 2011) – uma prioridade estratégica
que se tem expressado com algumas oscilações táticas. Assim, se
com a redemocratização de 1985 o país procurou afirmar sua
autonomia pelo distanciamento em relação aos Estados dominantes, tal &V