As ruas e a democracia. Ensaios sobre o Brasil contemporâneo | Page 138

contrar uma maioria parlamentar submissa e disposta a sancionar o que foi por ele deliberado, bem ao estilo do “presidencialismo de coalizão”. Tal modelo, como já mencionado, “articula o vértice do Executivo, sob a mediação de parlamentares governistas que desfrutam de acesso aos recursos públicos e de influência entre os agentes responsáveis pelas políticas públicas, às bases locais que garantem a sua reprodução política. Nesse circuito perverso, reforça-se a dissociação entre representantes e representados, e se reduz a cidadania a uma massa de clientes. A opção paroxística pela governabilidade – marca do nosso presidencialismo de coalizão, que não se estabelece em torno de afinidades programáticas entre os partidos – cancela a antinomia entre moderno e atraso na política brasileira, induzindo a que, no Poder Legislativo, a agenda do moderno ceda a interesses e a concepções do mundo retardatários” (VIANNA, 2011, p. 165). Potencialidades da política externa O Brasil tornou-se protagonista importante do sistema internacional. A imagem do país melhorou, deixou de estar associada a futebol, samba e bossa-nova, ao território imenso e a riquezas naturais. Há, é verdade, a corrupção que se mantém, os bolsões de miséria que ainda persistem, as falhas grotescas de infraestrutura, mas também se sabe que a sociedade civil demonstra algum poder de reação e que soluções vêm sendo tentadas de forma 6