Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Page 62
Mas sabe o que ainda assim me entristece?
Não achei nenhum texto publicado com suas opiniões.
Nenhum, nenhunzinho, dentre muitos que ela possivel-
mente escreveu enquanto pensadora de sua época. Por-
que sim, Anayde não era apenas uma mulher dividida
entre uma coisa e outra, entre um ideal e outro, entre
alguém que lavava a sua honra e outro que a dizimava.
Ela era poeta, professora, pensadora, escrevia em jor-
nais, vivia entre intelectuais, ditava opiniões…
Ah, tudo bem, tudo bem… A vida é assim mesmo.
É?
Quem é essa mulher além desses homens? Além da
história?
E você, quem é além desse ou daquele? Disso ou da-
quilo?
Então, escrevo esse texto como quem pede: questio-
nem seus pensamentos e padrões! Suas histórias!
Sejam livres! A liberdade é uma escolha, mas precisa-
mos lutar por ela, acreditem!
Que ninguém, além de você mesma, possa escolher
quando calar e quando falar. E em que tom. Não eram os
nossos peitos que algumas pessoas que nos criticaram
não queriam ver. Porque “isso” toda a sociedade assiste
hipnotizada em desfiles de Carnaval e em qualquer pro-
grama de televisão.
Não se deixe iludir!
O que penso sobre críticos da Marcha das Vadias aqui,
na minha cidade, e de machistas em geral, é que eles não
queriam, quando reclamavam das pessoas, homens e
mulheres que defendiam uma causa, ter que escutar os
gritos de dor, medo e revolta, escondidos durante muito
tempo. Palavras que clamavam por justiça, igualdade e
liberdade.
Porque incomodam quem prefere manter-se dormin-
do em sua zona de conforto e não quer pensar sobre si
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mesmo e no quanto suas escolhas, mesmo que seja a de
manter-se em silêncio, arrombar casas ou “defender a
honra”, também destroem, machucam, mutilam e ma-
tam.
De quem você é filha? Qual seu sobrenome? De que
partido? Com que roupa?
Sim, mulheres também perpetuam m