Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Page 57
Com o repertório 100% autoral, nosso primeiro hit
foi a música Quem Diss (“Diss” significa resposta. Nesse
caso faz alusão à expressão “quem disse?”, fechando uma
proposta circular e metalinguística). O mote, além de ser
uma resposta aos que acreditam que as mulheres não
podem ou não devem ocupar alguns espaços, também é
uma afronta empoderada, quando o que se segue na ri-
ma é a frase "Faço o que quero e não preciso que apro-
ve".
O nome Sinta A Liga Crew faz alusão a uma peça ínti-
ma do vestuário feminino e também retrata a ligação
entre estas mulheres e o seu público. Público até então
distante do hip hop por não haver identificação com o
gênero, principalmente pela ausência de um discurso
que representasse a mulher na cultura de forma positiva.
Hoje, o trabalho apresentado pelo SLC conta ainda com a
participação do DJ Guirraiz, um profissional dedicado à
produção musical e que dialoga de maneira muito cons-
trutiva com a nossa identidade.
O grupo está fincando suas raízes na história do hip
hop local com o processo de lançamento do seu primeiro
CD, Campo Minado . Produção independente e cheia de
empoderamento que reforça a ideia de ocupação das
“minas” em todos os espaços. Aproveito para convidar
todas as pessoas a conhecerem esse trabalho de resis-
tência, militância e muita cultura.
Agora, vamos conhecer um pouco sobre cada inte-
grante:
AfroNordestinas (2003), primeiro grupo de rap femi-
nino do Estado. Já ganhou diversos prêmios de música, a
exemplo do Hútuz (2007-2010) – maior festival de Hip
Hop da América Latina. Formado por Kalyne Lima, rap-
per militante e autora de composições com letras con-
tundentes, acompanhada por Julyana Terto, dona de voz
vibrante e melodias marcantes. Trazem um repertório
que transita do samba à MPB, tendo o rap como essência.
Lançou seu primeiro CD em 2010, o homônimo AfroNor-
destinas.
Camila Rocha (2010), poetisa de nascença, forjou seu
trabalho com fortes influências do reggae, mas também
se deleita com a MPB e o samba. Lançou seu primeiro EP
solo, intitulado Poesias Recortadas , em 2015. Além de
explorar melodias pouco vistas no gênero “rep”, como
gosta de “abrasileirar” o estilo, Camila é uma das artistas
mais provocadoras da cena local. Dona de visual marcan-
te, poesia pesada e uma performance no palco que hip-
notiza, devido às melodias suaves e expressões de resis-
tência.
Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017
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