Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Seite 43

Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017 43
Outro ponto muito importante, ao qual estive sempre conectada, foi fazê-los despertar para a poesia que existe no dia a dia de cada um. Seja a partir da leitura de poemas, seja em vivências individuais / coletivas que se manifestam ou podem vir a se manifestar em formas poéticas, entre elas: texto, música, pintura, desenho, interpretação, recital entre outras.
As oficinas foram organizadas em torno do tema de cada poema, articulando a leitura com outras ferramentas que viabilizassem a integração do poético naquilo que os jovens já trazem ancorado nos conhecimentos prévios. Assim, organizei cada uma em cinco etapas: 1 ª: dinâmica ou audição de música; 2 ª: leitura e reflexão silenciosa do poema; 3 ª: leitura em voz alta do poema, guiada por mim; 4 ª: análise dos elementos e palavras estranhos( as) aos olhos e ouvidos; 5 ª: atividade expressiva. Em todas as etapas busquei relembrar a mitologia em torno de cada animal, junto ao conhecimento popular que é compartilhado oralmente com os familiares, no intuito de expandir a percepção do que pode vir a tornar-se poema por conter elementos poéticos identificados por um olhar apurado; olhar este, que puderam iniciar o desenvolvimento da lapidação.
Em algumas das oficinas, a música conversa com o poema ao trazer um olhar diferente do que é dado pelo autor. Esse diálogo foi importante para que os adolescentes pudessem concluir que tudo ao nosso redor pode vir a ser tema de manifestações poéticas. As oficinas foram iniciadas pela dinâmica“ Poesia é...”, e cada participante tentou definir Poesia em uma única palavra.
As oficinas seguiram sendo finalizadas por atividades. As“ atividades expressivas” deram vazão à comunicação, desenvolvimento da oralidade, melhora do relacionamento da turma, entre tantos outros aspectos capazes de aprimorar a convivência; com a atividade“ leitura teatral”, as expressões corporais foram colocadas em foco e os tímidos puderam participar, desatando inseguranças; com a construção do“ viveiro coletivo”, os participantes puderam materializar e colorir cada um a sua representação desencadeada após a oficina temática“ As corujas”, tema de um dos poemas. Mais tarde, os desenhos e registros foram colocados no mural“ Poeme-se”, exposto na sala de leitura da escola, espaço em que as oficinas ocorreram.
As experiências com as oficinas foram finalizadas com a dinâmica“ Poesia é...”. Para ela, confeccionei uma caixa preta com um espelho dentro. Antes de abrir a caixa, para cada um deles individualmente, fiz uma breve explanação para incitar a curiosidade; disse-lhes que aquela caixa continha um elemento incrível, capaz de conter milhares de poemas e manifestações poéticas; capaz de viver e ser poesia, além de transmiti-la aos demais e encantar. Só então, cada participante foi chamado à frente para conhecer o que seria, de fato, esse elemento. Os olhares foram de surpresa, emoção, contentamento, encanto, espanto e gratidão. A poesia tem lugar na escola. Entretanto, os educadores precisam se dispor a se empenhar nessa empreitada.

Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017 43