Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017 23
DIA DE PRETA
Braços para o trabalho? Quem é você para determinar meu fardo? Filhas de uma pátria que maltrata e massacra a toda gente de cor Me diga, então, QUAL É A COR? Fácil humilhar assalariada que trabalha pra pôr pão no prato e mão na prata e engole asco de patrão porque é obrigada Fácil aumentar imposto todo mês na casa que uma trabalha pra três e a culpa aqui é preta sempre da freguesa Fácil dizer que negras não são gente quando na verdade a outra cor mente Sem saber que a gente só quer viver onde morar e o que comer sem pertencer a vosmecê Meus braços são para o trabalho, sim! Trabalho que beneficie a mim E não desses que servem pra encher a burguesia de $ din $ Pro trabalho são os meus braços, sim, senhor! Porque superei meu passado de dor Porque não exploro E nem humilho ninguém pela sua cor Enquanto seu conceito é prévio e malfeito Sigo meu destino de negra Negra guerreira.
Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017 23