Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Page 21

A lgumas composições de autoria do Ariel Coletivo Literário: QUATRO PAREDES E UMA JANELA ILUMINADA H á um baú no fim da cama vinhos e documentos são recheio deito ao lado de corpo-poemas amontoados, cobertos por plástico bolha posso tocar uma barba casa-arte clara memória da infância hoje meu presente sinto cheiro de um sol incessante acima de meus olhos remelentos e escuto uma mulher livre gozar com as próprias mãos enquanto pés descuidados se acariciam entre lençóis quando olho dentro poemas arrebentam a todo tempo todos meus, meu corpo, meu espaço, com que habito distraída o universo. SOBRE A ARTE DE ESCREVER N inguém escreve como respira ai bobagem esse negócio de "eu escrevo como quem respira" Não há escolha em respirar Ver a escrita como obrigação é pesado não há glória ou mérito se não há horizonte, encruzilhada, descaminhos Eu vejo graça é no desejo, no flerte, na dúvida É preciso querer, te entregar, deixar rolar lentamente permitir a palavra te tomar E nesse ponto (G), ao sentir a sedução O tesão no prazer da escrita Tu escolhes seguir até o gozo fértil da literatura ou enveredar para outros deleites mundanos ambos válidos e necessários. Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017 21