Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Page 16
ciado, ecoou em nossos corpos contra a opressão diária,
ora explícita, ora disfarçada, que lidamos nesta sociedade
patriarcal, machista e sexista, na qual se observa a objeti-
ficação do corpo feminino, visto a partir de "sua função"
enquanto objeto de prazer masculino e alvo das exigên-
cias capitalistas. Dessa objetificação nascem várias pro-
blemáticas, como o estabelecimento de padrões estéticos
irreais que resultam em uma visão estereotípica do corpo
da mulher.
O Corpo-Poema propõe uma rejeição a essa lógica
patriarcal e capitalista, naturalizando a perspectiva sobre
o corpo da mulher através de uma desconstrução do cor-
po feminino como objeto sexual, e gerando uma abertura
para a representação do corpo como espaço de reivindi-
cação da liberdade e autonomia femininas. A ideia consis-
te em evidenciar as opressões contra a mulher, ainda for-
temente arraigadas em nossa sociedade, além de ressal-
tar as formas de lutar por igualdade de gênero e possibi-
lidades mais justas de convivência. Para Paula Tabosa, “o
Corpo-Poema é esse dueto: corpos nus de mulheres na
luta impactam, destroem. Corpos nus de mulheres livres
naturalizam, (re)constroem”.
16 Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017
O projeto começou a ser desenvolvido em 2015. A
partir de maio, começamos a discutir a ideia proposta
por Thays Albuquerque para estruturar coletivamente
como seria realizada. Tivemos a sorte de contar com a
parceria da fotógrafa Marília Cacho, artista que apoia o
Ariel desde o primeiro sarau e a quem já conhecíamos,
admirávamos e tínhamos uma relação de confiança. Em
setembro, fizemos a sessão fotográfica com algumas inte-
grantes do coletivo, mulheres de várias formas, cores e
personalidades.
“Participar como fotógrafa e como modelo proporcionou
sentimentos em dobro! E fazer parte disso durante a mi-
nha gravidez tem ainda mais representatividade nesta
luta”, compartilha a fotógrafa.
Para a elaboração das fotos, partimos de alguns
textos que integram o sarau Dama da Noite; para escre-
ver no corpo nu das integrantes, versos e trechos narrati-
vos dessa literatura, usamos maquiagem, objetos comu-
mente usados por muitas mulheres e associados ao femi-
nino (lápis de olho, batom e delineador) que foram res-
significados, uma vez que não estavam a serviço da ma-
nutenção dos estereótipos de beleza.