Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Page 15

Festival Inverso - Campina Grande (Foto Gilliard para a página Capturame) Costurando poemas de diversas autorias, propu- semos um olhar crítico sobre a mulher que nos inquiete a sair de um lugar comum, evidenciando-a nos diferen- tes papéis que, por escolha ou não, ela desempenha em nossa sociedade: a oprimida, a violentada, a espancada, a humilhada, a mãe sofrida, a puta, a lésbica, a mutilada, a desdobrável, a batalhadora, a revolucionária, a mulher plena. O desenho inicial do Dama da noite trabalha os textos literários em conjunto com a música, para percor- rer três momentos importantes na construção da mu- lher emancipada: de uma desconstrução dos estereóti- pos impostos à figura da mulher; para, em seguida, per- ceber uma mulher que se reconhece na dor, não por uma perspectiva de fragilidade, mas de força, convertendo essa dor em impulso na busca por seus espaços de luta e voz; chegando, finalmente, ao seu empoderamento. Nessa composição, usamos fundamentalmente vozes de mulheres, tais como: escritoras clássicas, como Simone de Beauvoir e Adélia Prado; poemas de poetisas regionais, como a paraibana/pernambucana Vitória Li- ma; a força da literatura contemporânea de Eliza Lucin- da e Alice Ruiz; e a sensual crítica de costumes de Gio- conda Belli, autora nicaraguense. Além delas, dois auto- res também integraram a primeira versão do sarau por proporcionarem uma literatura contra a repressão, pon- do-se ao lado das mulheres no combate ao machismo. Com o passar do tempo, e das apresentações que fo- ram surgindo, o sarau Dama da Noite ganhou várias re- formulações; em suas últimas versões se preocupou em trabalhar com textos estritamente de autoria feminina, além de acrescentar composições aut