Anayde- Revista de Cultura Feminista Out.2017 | Page 10

Apesar de ter uma carreira que se consolida cada vez mais, Raquel Ferreira diz que jamais escolheria uma profissão como esta, que a per- turba tanto e lhe tira de todos os lugares que quer e não quer ficar. É um paradoxo. Para ela, nenhum ser em sã consciência escolheria o que chama de “sina”. Em diversos momentos de sua vida, decidiu não seguir com a car- reira de atriz, mas o amor pelo ofício era mais forte e sempre a fazia recu- ar. “Tentei profissões diversas, pelo menos umas seis. Fiz outras gradua- ções e, por conta da angústia, tran- quei todas. "Mas sempre acabava voltando a este eterno amor, de cabeça dura e paixão louca, que, por mais que me descole e me una a mim mesma é, sem dúvida, a razão e o sentido pelo qual me encontro, me desencontro e compreendo a vida, a personalidade 10 Anayde – Primeira Edição – Outubro de 2017 humana, e o que acredito ser o Divi- no”, revela de forma apaixonada. Diante de todos esses desafios que enfrentou, Raquel é só gratidão e busca sempre agradecer as opor- tunidades que a vida lhe traz. Quan- do falamos em planos, a atriz cita diversos. Entre eles, podemos desta- car o desejo de realizar um espetá- culo solo de dança-teatro, outro que enfoque a religião ioruba e desen- volver trabalhos teatrais com crian- ças. “O teatro é minha raiz e sempre será para aqueles que começaram a partir dele, tenho convicção dessa verdade. Tudo o que tenho de bom e forte, as travas e os traumas que consegui transformar, todas as ve- zes que busco forças para continuar a seguir é, sem dúvida, mérito da influência dessa arte milenar sobre a minha personalidade." Aplausos!