A Voz dos Reformados - Edição n.º 169 Janeiro/Fevereiro 2021 - Page 5

Em Destaque
Novas instalações
Lar residencial
Janeiro / Fevereiro 2021 | A Voz dos Reformados 5

Em Destaque

tantes centros cívicos de associativismo onfiança os desafios exigentes de 2021

ARPIC sonha com novas instalações apesar das contrariedades

Na ARPIC , com cerca de 400 associados , a maior parte das valências desenvolvidas , foram « interrompidas » pela pandemia , mantendo-se a mais importante : o Serviço de Apoio ao Domicílio ( SAD ), que teve de ser reforçada . « Temos dois carros na rua , cada um com uma equipa , de segunda a sexta-feira , e às vezes ao fim-de-semana , quando há casos mais urgentes », adiantou Rogério Justino , presidente desta associação desde Julho de 2020 . Este serviço é uma resposta social que visa prestar cuidados e serviços a famílias e pessoas que se encontrem no seu domicílio , em situação de dependência física e ou psíquica . Contempla , além das « refeições , tratamento de roupa , higiene habitacional e administração da medicação », adiantou o dirigente , referindo que , em certos casos , a associação vai também buscar a medicação à farmácia aos utentes e trata dos receituários com o Centro de Saúde , estando em permanente « contacto com os médicos ». Por outro lado , quando necessário , « transportamos e acompanhamos doentes até ao hospital », acrescentou . Entretanto , com a pandemia , agravaram-se as necessidades , com muitas pessoas a precisar dos serviços prestados pela ARPIC . « Nós temos um acordo com a Segurança Social para 17 utentes e damos assistência a mais de 30 utentes . Estamos a lutar para que esse apoio chegue a mais gente », referiu Rogério Justino , sublinhando que , muitas vezes , esse serviço prestado ao utente é estendido a « toda a família »,
Rogério Justino , presidente da ARPIC
nomeadamente a alimentação . Tudo isto faz ainda mais sentido quando « as pessoas ficaram mais distantes », com os filhos , muitas vezes impedidos , por diversas razões , de cuidar dos seus pais ». Tudo isto é possível graças aos trabalhadores da ARPIC , que , desde o primeiro instante , perceberam a gravidade da situação e responderam incansavelmente . Um esforço reconhecido pela atual direção . « Os trabalhadores recebiam o salário mínimo nacional e não tinham vínculo . Uma das nossas preocupações foi a de que recebessem consoante as categorias profissionais », sublinhou o dirigente , dando conta do pagamento das diuturnidades a partir de Janeiro . Além do SAD , a ARPIC pretende continuar , em 2021 , a desenvolver as suas atividades , socioculturais , de expressão plástica e musical , o atelier de costura , entre outras . Ginástica geriátrica / hidroginástica e jogos de mesa , tabuleiro e de grupo são outros dos objetivos traçados .

Novas instalações

A Segurança Social recusa mais apoios à ARPIC até que esta tenha umas « instalações novas », um « sonho » desta instituição reivindicado há muitos anos , para que os seus associados possam conviver e ocupar os seus tempos livres , bem como tomar as suas refeições , prestando apoio domiciliário aos que dele necessitem .
Mas o que impede a ARPIC de ter umas novas instalações ? « A Segurança Social lançou o Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais ( PARES ) 2.0 , que esteve disponível até ao final do ano passado . Para concorrer era necessário apresentar um projeto – que ronda os 65 mil euros – e ter um terreno , condições que careciam do apoio da Câmara Municipal de Coruche ( CMC ). Para isso , teve lugar uma reunião com a ARPIC , o diretor regional da Segurança Social , a Junta de Freguesia do Couço e a CMC », recordou Rogério Justino . Dessa reunião saiu o compromisso do município fazer o projeto dentro dos prazos , o que não se concretizou . Face à insistência da ARPIC , o presidente da CMC voltou a comprometer-se com a feitura do projeto , fora do PARES 2.0 , uma vez que se poderá recorrer a fundos europeus . « O que é certo é que noutras associações do concelho o projeto avançou . No Couço não !», lamentou o dirigente .

Lar residencial

À conversa juntou-se Hortelinda Graça , presidente da Junta do Couço , que acusou a CMC de « falta de vontade para com a Freguesia ». Além de um novo centro de dia , a Segurança Social deu a entender que a associação devia avançar para novas valências , nomeadamente um lar residencial . Também neste ponto há uma divergência entre as necessidades da Freguesia e as « soluções » apresentadas pelo município , que sugeriu conceder parte do espaço do Centro Materno do Couço para o futuro centro de dia da ARPIC , limitando futuros projetos , por restrição do terreno . « Nós temos uma ambição muito grande , um sítio ideal para instalar o centro de dia e o lar residencial : nas instalações da antiga Cooperativa de Consumo dos Trabalhadores do Couço , na entrada da vila », destacou a autarca . Tudo isto não demove a atual direção da ARPIC . « Nós somos do Couço . Aqui as pessoas sempre foram lutadoras , enfrentaram as maiores adversidades , maiores que esta pandemia . Através dos seus ensinamentos , vamos continuar a trabalhar e a lutar », assegurou Rogério Justino .