Esta noite sonhei que Ulisses dormia na minha cama.
Que sonho bom! Que despertar tão cruel!
Estou desesperada! Uma das minhas criadas descobriu o meu plano para retardar o casamento e foi contar tudo aos pretendentes. Estes ficaram furiosos e logo me fizeram saber que iriam contactar o meu pai para que, como ditam as leis da tradição, este me arranje um marido que ocupe o lugar de Ulisses e governe a minha casa.
Preciso de arranjar outra alternativa para ganhar tempo e poder esperar por Ulisses.
Telémaco cresceu! Não suporta o cerco dos pretendentes e cansado de não saber nada do pai, resolveu sair, ele próprio, no seu encalço.
Convocou a assembleia de Ítaca e pediu que lhe aparelhassem um barco. A velha Euricleia está a preparar-lhe o farnel para a viagem.
Parte amanhã cedo e deixa-me com o coração apertado e com as mãos atadas ao contínuo labor de fazer e desfazer a teia.
Oxalá encontre o pai!
Não sei o que fazer! Hoje recebi um ultimato do meu pai. Diz que tenho de me casar de uma vez por todas e que se eu não me dispuser a escolher um dos pretendentes ele mesmo o fará.
O tempo está a esgotar-se.
Estou preocupada com Telémaco. Ainda não regressou e temo pela sua vida. Já percebi a antipatia dos pretendentes para com ele. Não me admiraria que tentassem matá-lo