do plano de metas , ao plano real
séria turbulência econômica, que veio culminar
no Plano Cruzado, hiperinflação e moratória.
A sociedade brasileira sofre com o aumento
dos preços e os sucessivos planos econômicos.
Depois de quase quinze anos de preços razoavelmente estáveis e sem o incômodo de crises cambiais, o país viu esse quadro mudar na
década de 1980. A inflação alta apontava para
tempos turbulentos, e os sindicatos, agora livres, clamavam por reajustes salariais trimestrais. As contas externas escaparam tanto do
controle que, às vésperas do Natal de 1982, o
país decretou moratória.
Do início dos anos 1970 até o final dos 1980, o
Brasil vinha realizando grandes investimentos
na área de infra-estrutra e energia, especialmente por meio das estatais. Daí para a frente,
sem recursos e com o custo do capital tornando-se proibitivo, o governo parou de investir.
Logo viriam as privatizações.
A intensa mobilização popular que sustentou
o congelamento de preços, em vigor a partir
de março de 1986, e a conseqüente disposição
de buscar um modelo estável de preços deram
ao setor industrial oportunidade para provar
que meio século de incentivos oficiais havia
amadurecido a indústria nacional, tornado o
segmento responsável e capaz de gerar os investimentos necessários aos novos desafios do
desenvolvimento.
Nas indústrias, o choque de competitividade
começou de dentro para fora. As empresas tiveram de investir em certificação de qualidade,
operadores de logística integrada, prestadores
externos de serviços de informática, cursos
profissionais, todas as inovações da gestão contemporânea. Claro que, com isso, aumentaram
os problemas das indústrias menos preparadas
para enfrentar tal situação.
Durante o governo de José Sarney, a indústria ganhou reforço com as chamadas Câmaras
Setoriais e os Programas Setoriais Interligados,
com enfoque nas cadeias produtivas.
Entre as várias iniciativas testadas no processo de redemocratização do país, o Plano Cruzado revelou-se o mais ousado e impactante
projeto concebido para acabar com a inflação e
relançar o crescimento no país. Ele retirou três
zeros da moeda e mudou-lhe o nome: passou
de cruzeiro para cruzado. Outro ponto importante: em 1984, por meio da Política Nacional
de Informática, o governo criou a reserva de
mercado para microcomputadores.
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