vem dos tempos em que a figura de Getúlio Vargas ocupava o centro de nossa vida política. Essencialmente, os nossos partidos e agrupamentos políticos ainda formam nos dois campos originários das forças que no passado respectivamente apoiaram Getúlio Vargas e lhe fizeram oposição”( Revista Brasiliense n. 38, nov.- dez./ 1961). Este velho“ dispositivo político” projetava a“ ilusão” de que“ as contingências e vicissitudes da política brasileira são reflexo da correlação de forças econômicas e sociais no plano das lutas político-partidárias”, anulando num“ jogo estéril”( sic)“ uma larga parcela de esforços honestos e dignos de melhor sorte”( Revista Brasiliense, n. 38, nov.-dez./ 1961).
A eleição de Jânio também reproduzira o“ obsoleto esquema faccioso que é o PSD-PTB, de um lado, e a UDN, do outro”. Caio Prado observava que não seria nada estranho que, nesse quadro, a demagogia“ populista e esquerdizante” de Jânio ganhasse conteúdo popular apenas para, em sua aventura, levar a uma situação de“ paralisia” da política brasileira. Essa“ cena política oficial” envolvia os debates em torno das questões nacionais com uma“ nebulosa estratosfera de vagos princípios abstratos onde, embora debatidos, não oferece a menor possibilidade ou probabilidade de se traduzirem em realizações concretas”( Idem). Os partidos políticos deveriam aposentar“ definitiva e inapelavelmente o decrépito dispositivo político-partidário” e se reestruturarem“ em função de programas de ação efetiva no rumo da solução dos grandes problemas nacionais, e na base da organização popular, isto é, tomando por fulcro os movimentos populares onde encontrarão o impulso e cooperação necessários, e somente aí o encontrarão, para aquela ação”.( Revista Brasiliense, n. 38, nov.-dez./ 1961).
No quarto e último artigo publicado no final de 1962,“ Perspectivas da política progressista e popular”, ele tornava a insistir na questão da inexistência de um“ sentido mais profundo” na“ vida política partidária oficial brasileira”, e revelava seu pessimismo ante o fato de que as“ aspirações e reivindicações e a problemática econômico-social brasileira” estavam apenas sendo instrumentalizadas.( Revista Brasiliense, n. 44, nov.-dez./ 1962).
Ao invés de ver aquele tempo do governo Jango como um terreno firme, cuja“ disposição de forças” permitisse definir táticas adequadas a um objetivo de mais alento, Caio Prado Jr exigia que as esquerdas buscassem compreender a deficiência da vida política(“ revelada na inadequação dos quadros partidários à nossa realidade e problemática econômico-social”). Dizia que a formulação
A política brasileira segundo Caio Prado Jr.
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