curriculares consistentes, escolas convidativas tanto em termos espaciais e estéticos, quanto em termos tecnológicos e didático-pedagógicos? Uma“ reforma do ensino médio” deve seguir quais critérios? Por que a abertura da grade curricular, de modo a torná-la mais opcional e mais flexível, não pode ser uma medida interessante? Se não for, o que se deve propor no lugar? Podemos nos dar ao luxo de ficar parados, sem experimentar, à espera de uma reforma que tenha a cara e as cores do que se considera perfeito?
A reforma aprovada em fevereiro de 2017 tem pontos complicados e controvertidos, ao lado de outros que deveriam ser bem recebidos. Ela altera a estrutura do atual sistema e mexe, portanto, com coisas estabelecidas, interesses consolidados e uma cultura pedagógica enraizada. A proposta inicial do governo foi bastante modificada no Congresso, que atenuou alguns pontos mais polêmicos. A flexibilização da grade curricular, por exemplo, que é o centro da reforma, permite que os estudantes escolham eixos formativos mais afinados com seus interesses, mas poderá por em risco a permanência de disciplinas como História, Sociologia e Filosofia, tidas e havidas como vitais para uma boa formação. O Congresso Nacional deixou mais vaga a redação, empurrando a execução da medida para as escolas.
Ao propor a flexibilização da grade curricular, o novo modelo permitirá que o estudante escolha a área de conhecimento em que deseja aprofundar seus estudos. A nova estrutura terá uma parte comum e obrigatória para todas as escolas, organizada pela Base Nacional Comum Curricular( BNCC), e uma segunda parte flexível, com abertura até para a formação profissional. A BNCC definirá as competências e conhecimentos essenciais que deverão ser oferecidos a todos os estudantes na parte comum( 1.800 horas), abrangendo as 4 áreas do conhecimento e todos os componentes curriculares do ensino médio definidos na LDB e nas diretrizes curriculares nacionais de educação básica. Somente língua portuguesa e matemática serão obrigatórias nos 3 anos de ensino médio. O restante do tempo será dedicado ao aprofundamento em áreas eletivas, definidas em 5 eixos: I – linguagens e suas tecnologias; II – matemática e suas tecnologias; III – ciências da natureza e suas tecnologias; IV – ciências humanas e sociais aplicadas; V – formação técnica e profissional.
O desenho não é ruim, mas terá de ser analisado com base nas circunstâncias reais do sistema educacional, no qual faltam professores qualificados, o descontentamento é enorme, a desigualdade regional é acentuada e a infraestrutura das escolas não
Dilemas e desafios da política democrática
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