A democracia sob ataque | Page 202

Numa parte da conversa com esse jovem, que dedicadamente lhe relata o crescimento do“ marxismo” na Rússia, o velho e inseparável amigo de Karl talvez tenha desferido um grande, necessário, decisivo, permanente e atual puxão de orelhas não apenas nos marxistas russos e de todos os marxistas daquela época, mas também para todos os marxistas de todas as épocas e de todas as partes do mundo.
Engels, com o joven Voden, produziu algo como um bing bang, cujas ondas sonoras críticas podem sentir-se até hoje ouvidos dos“ marxistas” da época atual:(...) gostaria que os russos – e não só eles, por sinal –, em vez de ficarem citando Marx e Engels, começassem a pensar como Marx pensaria em seu lugar. Só assim a palavra‘ marxista’ teria sua‘ raison d’ être’( razão de ser, ER)”.
Diante dos complexos problemas que se apresentam à existência do gênero humano, cabe a pergunta: como você os pensaria objetivando a anulação e superação do mundo atual, caso seguisse e desenvolvesse o método de Marx ou, como definiu Attali, do Espírito do Mundo?
O desafio é pensar como Marx e sistematizar o método com as conquistas do conhecimento que a humanidade dispõe hoje, mas antes, há que superar a Muralha de Hegel, e interpretar este novo mundo, pois sem tal empreendimento não haveria Karl.
Sobre a obra: Karl Marx ou o Espírito do Mundo, de Jacques Attali, Editora Record, 446 p.
200 Eduardo Rocha