A situação mais favorável para o trabalhador é a do crescimento do capital, temos de admiti-lo [...]. De maneira geral, o sistema protecionista de hoje é conservador, ao passo que a livre troca é destruidora. Ela aniquila as nações e leva o antagonismo entre o proletariado e a burguesia ao extremo. Numa palavra, o comércio livre acelera a revolução, e é numa direção revolucionária, senhores, que voto a favor do livre comércio.
Attali, então, chega à seguinte conclusão: o espírito do mundo entende o socialismo como a consumação da universalização do mercado e assinala também que a política de alianças diante de um dado momento histórico concreto também recebe de Karl uma orientação incisiva. Destaca a valorização feita à assim chamada democracia parlamentar à luta dos trabalhadores.
Paralelamente aos duros dramas familiares, lidera a formação da Associação Internacional dos Trabalhadores( será seu cérebro e sua alma) e produz sua maior obra, O Capital, cuja investigação e exposição da matéria foram-lhe extremamente penosas. Dá ainda detalhes minuciosos extraídos de relatos de revolucionários de todas as partes do mundo que frequentaram sua casa em Londres, sobre a sua vida pessoal e o seu método de trabalho diário.
Expõe com riqueza os momentos finais da vida de Karl e relata como as suas obras passam a ganhar cada vez mais destaque nos círculos operário-revolucionários de todas as partes do mundo.
A gestação dos chamados“ arquivos Marx-Engels” também merecem destaque por uma descrição minuciosa das circunstâncias históricas e personagens envolvidos, com destaque para Engels, Eleanor Marx, Karl Kautsky, Eduard Bernstein, August Bebel e David Riazanov. Este, aliás, um jovem e brilhante intelectual marxista russo, foi o grande responsável de fazer com que os arquivos Marx-Engels passassem das mãos dos alemães para as dos russos. – ou, como diz Attali, mais exatamente, das mãos de alguns alemães que já não se interessam realmente por eles para as de um russo que se interessa muito.
Enfim, Karl é o criador de uma ação crítico-racional-totalizante de investigação e exposição vivificante. É uma dedicação sobre-humana para proporcionar inovações qualitativas ao conhecimento universal. Desenvolve um método de análise que possibilita fazer com que qualquer objeto real da vida concreta seja expulso do reino das trevas e torne-se minimamente inteligível numa eterna e inatingível aproximação com a plenitude incomensurável e multifacética da totalidade ser estudado.
198 Eduardo Rocha