Lembrando Tarcísio Leitão
“
As
Oscar d ´ Alva e Souza Filho
coisas exigem começo...” – Para salientar a necessidade da transição do ideal à práxis, muitas vezes, o advogado e ativista político Tarcísio Leitão cearense, recentemente falecido, citava as lições de“ sua avó índia”( Julita) para manter as discussões no plano da realidade e nos impedir de navegarmos nas calmarias e nos perder no Cabo da Boa Esperança...
A necessidade do pensamento político precisava estar em conformidade com a realidade histórica concreta( objeto do pensamento articulado pelos companheiros do PCB):“ O pensamento não é aritmético...”. Se assim fosse cairíamos no cartesianismo ou no matematicismo, que é uma forma de idealismo, lembrava Tarcísio.
Ele combatia sempre o que chamava de“ udenismo do Partidão”, identificado na postura de condenar os desvios morais e doutrinários dos companheiros. E dizia aos críticos insistentes:“ acho que vocês deveriam se matricular num Colégio de Freiras”...( e mais risos e gargalhadas, nunca mau humor). Sempre foi um exemplo de tolerância.
Sua atitude constante era a de valorizar, compreender, enaltecer os companheiros de luta, mesmo de outros partidos. Falava com carinho e especial admiração de nosso amigo Pedro Albuquerque a quem recomendou a Francisco Julião( das Ligas Camponesas). Acompanhou o sofrimento dele e de sua companheira na Guerrilha do Araguaia, e depois seu reingresso firme e altivo nas lutas sociais subsequentes, com Brizola e o PDT, por exemplo.
Tarcísio Leitão sempre elogiava e ouvia, quando podia, o companheiro Inácio de Almeida( a quem chamava de Martelo d ´ Água). Inácio não vinha a Fortaleza sem procurar ouvi-lo. Estive com eles pelo menos vinte vezes me beneficiando das lições dialogadas. No início de 2016, estivemos na casa de Tarcísio, na praia do Sabiaguaba: Cândido Feitosa, Pedro Albuquerque, Inácio e eu:“ Conte as novidades de Brasília”... Inácio aproveitou e falou, falou e concluiu com otimismo sobre o possível impeachment da presidente Dilma Rousseff, a Operação Lava-Jato, o fim do lulopetismo e tudo o mais... Tarcísio, que ouvira tudo calado, perguntou-lhe: –“ Mas, me
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