A democracia sob ataque | Página 17

Ao longo dos últimos 32 anos, aqueles que lutaram para superar o esgotamento da ditadura conduzida pelos militares, não foram capazes de fazer as reformas necessárias para assegurar coesão e rumo ao Brasil. O governo Collor fez algumas mudanças necessárias para nos adaptar aos tempos da globalização, reduzindo o modelo protecionista; o governo Fernando Henrique quebrou o vício inflacionário e criou a Bolsa Escola, depois Família; os governos Lula e Dilma ampliaram os programas de assistência social. Cada um deles fez pequenos gestos como o Fundef, Fundeb, Prouni etc., mas o PT / PSDB / PMDB se comportaram como os abolicionistas: aboliram a escravidão, mas não distribuíram terras aos escravos, nem escolarizaram os filhos deles.
Fizemos a democracia, mas pouco mudamos na sociedade e nada na estrutura social. O PSDB assumiu porque os governos conservadores não fizeram reformas; mas o PSDB também não fez as reformas; o PT venceu pelo esgotamento do PSDB, mas se comportou como um partido igualmente conservador, sem vigor transformador, sem papel reformista, ainda menos revolucionário. E se acomodou tanto no seu conservadorismo que comemora como grandes feitos a ampliação de positivos programas assistenciais, generosos e necessários como se fossem o coroamento de seu papel político para superar o esgotamento.
Embora tenha reduzido problemas, não fez as transformações necessárias para superar o esgotamento por meio de uma revolução que traga a coesão e o rumo que a Nação brasileira precisa para seu futuro. Na verdade, ampliou as manifestações de esgotamento, sobretudo na política. Os dois governos do PT transformaram em prática corrente o aparelhamento do Estado, a compra de parlamentares, o financiamento nababesco de campanhas, a desmoralização dos partidos e, sobretudo, a política do corporativismo como exercício da prática democrática.
O Brasil chega esgotado a este momento histórico. Nas finanças, esgotou-se a velha tradição de financiar gasto público para atender todos os interesses, sem levar em conta os limites de recursos; na política, esgotou-se a democracia voltada para atender os interesses das corporações isoladas, sem interesse nacional comum, e tratando o rumo histórico dividido entre cada eleição, sem perspectiva do longo prazo; esgotou-se o projeto de desenvolvimento baseado na busca de aumentar a produção industrial tradicional graças a subsídios públicos e empréstimos subsidiados visando aumentar o consumo – o tamanho da dívida e dos juros são provas deste esgotamento –; sem tomar medidas
Esgotamento de ideias e práticas
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