caso do PC chileno, a via pacífica tinha uma relação profunda com a participação eleitoral. Via pacífica, aqui, significava via parlamentar. Dessa forma, o que viria a se consolidar como vía chilena al socialismo não transformaria a cultura política do PCCh, mas o colocaria diante de um caminho eleitoral como impulsionador de um processo revolucionário.
A conjuntura percebida pelos comunistas chilenos indicava uma direção em torno de vias politico-institucionais em contraposição às vias insurrecionais. Nos anos 1956-1958, a via pacífica foi ganhando substância ao ponto de ser oficializada como único recurso estratégico daquele momento. Dessa maneira, izquierdismo, naquele instante, representava qualquer ação que pudesse prejudicar a participação e o apoio da Frap nos processos eleitorais. A revolução no Chile deveria ocorrer pela vitória de uma frente hegemônica de esquerda, que lideraria outras forças políticas. No Brasil, a revolução burguesa para os pecebistas seria liderada pela própria burguesia nacional, que deveria se aliar às forças progressistas, incluindo aí o próprio PCB, que abdicava inclusive de qualquer cargo político-instrucional. Isso nos auxilia a pensar as distintas estratégias dos partidos comunistas analisados. Portanto, enquanto o PCB transformava seu pensamento político, materializado na Declaração de 1958, o PCCh reafirmou e aprofundou sua estratégia eleitoral, reforçada pelas novas perspectivas que se abririam com a derrogação da Ley Maldita e a unificação dos partidos socialistas. Portanto, enquanto o PCB passava a legitimar as transformações socioeconômicas brasileiras, dando ensejo ao que viria a ser conhecido como pecebismo contemporâneo, o PCCh visualizava na Frap a possibilidade de alcançar o poder por meio de uma hegemonia de esquerda, que liderasse o processo revolucionário com apoio de setores nacionalistas.
Em suma, a análise em torno da“ Declaração de Março” e das eleições presidenciais no Chile, ambas estabelecidas em 1958, resgata os sentidos estratégicos destes dois partidos comunistas, quando o PCB dava seus primeiros passos rumo a uma transformação em sua cultura política, enquanto que o PCCh reafirmava sua vocação revolucionária por meio de uma estratégia de conquista das instituições políticas através de processos eleitorais.
Referências
AGGIO, A. Frente popular, radicalismo e revolução passiva no Chile. São Paulo( SP): Annablume; Fapesp, 1999
A Revolução Global e as experiências comunistas no Brasil e no Chile
153