A democracia sob ataque | Seite 136

sificar mais os seus estudos empíricos, com os olhos abertos e sem pré-leituras acerca da realidade. Por certo, alguns exercitam com saudável regularidade a pesquisa de campo. Mas parecem cegos ao mundo real, pois seus escritos decorrentes sugerem interpretações que dificilmente seriam correspondentes aos processos sociais rurais. Há uma revolução produtiva e tecnológica em curso nas regiões rurais e“ tudo está mudando”. Assim, manter os velhos discursos do passado, apenas repetindo jargões e termos sagrados não conseguirá oferecer nenhuma interpretação aceitável ante esse quadro de transformações sociais e econômicas;
( 9) A esquerda agrária brasileira está morrendo, seja aquela situada no extremo político mais moderado e se posicionando politicamente“ à esquerda”, mas motivada especialmente por preceitos morais, ou, no outro extremo, a esquerda agrária militante e ideologizada. Os temas rurais estão perdendo sua atratividade na sociedade e, assim, a reiteração de um discurso do passado encontra cada vez menos eco entre os brasileiros. Para os estudos sociais rurais, esta agonia é um fato a lamentar, pois se reduzem as chances de maior pluralidade no campo analítico. Mas, para manter-se viva, a EA precisaria experimentar uma verdadeira catarse renovadora, autoanalisando-se radicalmente e realizando um esforço gigantesco de refundação teórica, objetivo que, infelizmente, não parece estar presente no horizonte.
Em conclusão
É inescapável a verificação sobre um quadro geral deplorável que afeta a esquerda agrária no Brasil em nossos dias. Não deveria existir uma reação? Por que aceitar passivamente a própria agonia, permitindo que o mundo da carochinha desenvolvido pelo rebaixamento das análises se tornasse dominante, desmoralizando o próprio trabalho dos integrantes da esquerda agrária?
Como está, atualmente, a esquerda agrária está escolhendo a sua imolação como destino.
134 Zander Navarro