desenvolvidas, particularmente a partir dos anos 1990, quando novos aderentes do grupo surgiram – mas sem formação teórica apropriada. São aqueles oriundos da Agronomia ou da Geografia, antes citados, os quais, sem nenhum lastro analítico mais substantivo, passaram a falar em nome de uma“ visão de esquerda” sobre os processos sociais rurais, sem receberem, no entanto, qualquer crítica por parte dos setores da EA que detêm maior densidade analítica. Consequentemente, a listagem de aberrantes equívocos foi crescendo exponencialmente durante esse período, ao mesmo tempo em que foi cerceado qualquer questionamento a respeito;
( 4) Ao mesmo tempo, é preciso ter a humildade de reconhecer que nossos esforços científicos, nas Ciências Sociais“ dedicadas ao rural”( à esquerda ou não), resultaram em um acúmulo que é relativamente pobre. Formam um campo multidisciplinar fracamente institucionalizado, o qual ostenta um desenvolvimento acadêmico insuficiente, quando comparado com outros países, sendo exageradamente ideologizado e pobre em termos analíticos. Nossa“ acumulação primitiva” sobre o tema geral é ainda muito rarefeita. Por exemplo, nunca tivemos cientistas políticos que tenham se dedicado regularmente aos processos políticos ocorridos nas regiões rurais, ainda que alguns tenham atuado perto, através da Sociologia Política. Os esforços em“ Antropologia do mundo rural”, por sua vez, foram mais significativos apenas entre as décadas de 1970 e 1980( lembrando o Museu Nacional), mas essa trajetória foi depois desaparecendo. Na Economia, quando sob a inspiração da EA, os resultados até hoje têm sido deploráveis, ainda que outros arcabouços teóricos da Economia tenham produzido conhecimento mais sólido. Na Sociologia, onde está mais presente a EA, os esforços científicos foram sendo degradados paulatinamente com o passar dos anos e os esforços de reflexão teórica, que constituiram a marca dos anos iniciais, gradualmente foram abandonados e o rebaixamento foi se assenhorando como a marca principal da Sociologia dedicada aos processos sociais rurais. Como ilustração absolutamente espantosa, basta citar o ressurgimento recente do termo“ camponês” e uma literatura bizarra e infantil sobre“ recampesinização”, a qual surgiu a partir da segunda metade dos anos noventa;
( 5) É igualmente necessário apontar que uma nefasta faceta de nossos comportamentos como cientistas sociais( e, mais ainda, aqueles situados no campo da EA) é a incapacidade de manter posturas críticas sobre os objetos estudados. A aceitação acrítica e pueril dos dogmas convencionais da esquerda torna as análises
132 Zander Navarro